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Hoje 24 de Abril, vamos tratar os médicos e enfermeiros como tratamos Salgueiro Maia?

Salgueiro Maia, Capitão de Cavalaria, foi o herói do 25 de Abril de 1974. Tomou o Terreiro do Paço, travou as forças do regime e foi buscar Marcelo Caetano ao quartel do Carmo. Ele foi o Capitão da Liberdade, que a esquerda totalitária que ele ajudou a libertar, ostracizou apenas porque ele era um verdadeiro defensor da liberdade, daquela onde se é livre. Este é o exemplo da forma como tratamos os nossos soldados.

Como tratamos os nossos soldados em tempo de paz?

Portugal e alguns portugueses convivem mal com as Forças Armadas. Sabemos como tratamos todos os ex-combatentes da guerra colonial. Sabemos bem como os integramos, em particular todos os que ficaram com sequelas físicas e com stress pós-traumático. Infelizmente alguns políticos recorrem ao argumento ideológico, como se isso validasse o abandono, que eles e alguns partidos, condenaram todos os filhos da nação que combateram em nome de Portugal.  A forma como tratamos os nossos soldados em tempo de paz, define os governantes que temos e isso não abona em nosso favor, o povo que permite que isso aconteça. Temos vergonha dos símbolos da nação, a não ser que um treinador brasileiro, em nome de Portugal, peça a todos portugueses para erguer a bandeira das quinas em cada janela. Nessa altura, em nome do futebol, foi a bandeira do nosso orgulho.

Há bem pouco tempo, batemos palmas e alguns deixaram algumas lágrimas rolar pela face, em homenagem aos heróis, médicos e enfermeiros, que ainda hoje, por esta hora, combatem numa guerra para onde não desejaram ir. Mas tal como no passado, os soldados de hoje, não hesitam em ir combater, porque a guerra é justa. Saem de casa, deixando a família e vão cumprir a sua missão, honrando o juramento que fizeram. Recebem os maiores elogios do governo e ouvem o ministério dizer que não faltam equipamentos de protecção individual, quando surgem relatos da linha da frente que dizem o contrário.

Quanto custa um herói?

 O governo quer contratar para este combate, enfermeiros a quase 6,42 euros por hora. Ao jornal PÚBLICO, “o Ministério da Saúde afirmou que o Governo autorizou a contratação dos profissionais de saúde necessários à resposta do sistema para efeitos da prevenção, controlo e tratamento da infecção por novo coronavírus (covid-19). De acordo com a tutela, tais contratos, a termo resolutivo certo, por um período de quatro meses, podem ser eventualmente renovados, se necessário e segundo a Administração Central do Sistema de Saúde, 7,42 euros é o valor base/hora do enfermeiro em início de carreira, a que acresce eventuais suplementos que sejam devidos”. (1)

O nível de risco e perigo de morte é igual para todos?

Há mais algumas perguntas que devemos fazer. Quando as Forças Armadas portuguesas vão para um teatro de operações, recebem um subsídio de risco ou recebem um prémio ou incentivo? Um soldado do exército regular é igual a um Comando, a um Ranger, a um Fuzileiro ou a um Paraquedista? O nível de risco e perigo de morte é igual para todos?

Julgo saber o que está a ser pedido aos médicos e aos enfermeiros deste país e sei que nem todos estão na mesma situação, apesar de todos verem as suas vidas alteradas pelo estado de emergência e pela pandemia; eu sei que os cuidados hospitalares não são iguais aos cuidados de saúde primários e que num hospital há serviços mais na linha da frente que outros; mas sei que este é um tema que alguns não gostam que se fale, o das diferenças que muitos querem que sejam iguais. É preciso que este governo saiba diferenciar, saiba atribuir um subsídio de risco, um incentivo e reconheça que o Ministério da Saúde, tem uma política de recursos humanos errada faz muito tempo.

Como fará o governo para diferenciar estes heróis?

Tenho ideias sobre isso e já as discuti com alguns médicos e enfermeiros. Mas querem homenagear quem combateu esta pandemia? Com muito menos do que o que vão gastar nas comemorações do 25 de Abril? Sem o despudor com que a Ministra da Saúde, foi célere em louvar quem respondia a perguntas ao telefone e que ainda não louvou em despacho, quem está a combater? Convoquem todos os médicos, enfermeiros e outros profissionais que lidaram com os doentes na linha da frente e num local público façam uma homenagem em frente de todas as televisões, atribuindo aí sim, um louvor e um agradecimento público e sentido. Acham que vão fazer isto? Não, e isso vai fazer crescer uma fúria em quem lutou, dias a fio, para proteger os que os irão desprezar. E se essa fúria crescer?

A Fúria do Herói

John Rambo, que todos conhecemos, regressa da guerra e encontra no seu país, um ambiente hostil onde a paz se serve com violência. Condecorado com a Medalha de Honra, aclamado como herói, depressa é esquecido e desenquadrado, não sendo acolhido por aqueles por quem lutou e defendeu, quase perdendo a vida. E os que lhe bateram palmas, que o homenagearam, serão exactamente aqueles que um dia depois o vão esquecer e se possível atirá-lo para um gueto, onde os traumas, a pobreza e a solidão farão de selecção natural ou selecção mortal. Salgueiro Maia disse um dia – “Não se preocupem com o local onde sepultar o meu corpo. Preocupem-se é com aqueles que querem sepultar o que ajudei a construir.” E os que lhe bateram palmas, que o homenagearam, que o aclamaram como herói, serão exactamente aqueles que um dia depois o vão esquecer e se possível atirá-lo para um gueto. Apenas a história lhe fará a justa homenagem, a mostrar a verdade dos factos que muitos teimam em enterrar.

Este governo pode destruir o SNS e reforçar o sistema privado, o NHS, o …

Rambo, o herói americano no fim do filme acabou preso, porque se defendeu de quem o maltratou. Salgueiro Maia, na vida real, morreu sem as honras que esta nação lhe devia ter prestado. Esta guerra vai acabar e os heróis de hoje, médicos e enfermeiros, vão ser tratados como sempre a esquerda tratou os heróis e os soldados deste país?

Se no Day After, não se pagar todas as horas extraordinárias feitas, se não se recompensar com um incentivo pelo combate; se no Day After, não se der descanso a quem esteve na linha da frente; se no Day After não se reformular os hospitais e com isso perceber como reorganizar os médicos e enfermeiros numa nova situação de guerra; se no Day After não se reformular profundamente o SNS, levando em consideração, a liderança, a mentalidade de comando controlo, os médicos e enfermeiros, a forma como os podemos diferenciar, as suas carreiras e remunerações, é muito provável que a fúria destes heróis os leve, não à prisão como o Rambo, mas a atirar a toalha ao chão, sair do SNS para o privado, para o NHS… Este governo, provocando a fúria aos seus heróis, pode destruir o SNS e prejudicar todos os portugueses.

Hoje 24 de Abril, pergunto se a esquerda do governo e a oposição no parlamento, vão tratar os médicos e enfermeiros como trataram Salgueiro Maia?

(1) https://www.publico.pt/2020/04/05/sociedade/noticia/covid19-governo-oferece-contratos-quatro-meses-642-euroshora-novos-enfermeiros-1911051

«’And so the gentleman’s dead, sir! Ah! The mores’ the pity!’ She didn’t even know his name. ‘But it’s what we must all come to. It’s as certain as being born, except that we can’t make our calculations as exact. Ah! Poor dear!’» (Mrs. Sarah Gamp, Martin Chuzzlewit, Charles Dickens).

A SAÚDE INSTANTÂNEA

Já muitas vezes me perguntaram a razão por ter escolhido a profissão de Enfermagem, com um esgar de empatia, como se eu estivesse arrependido ou em vias de me arrepender. Automaticamente, desembainham uma resposta forjada pela sociedade: “Não conseguiste ir para Medicina? Depois vais tentar ir? Se calhar, estudando um pouco mais, terias ido”. Habitualmente, não me vem à cabeça perguntar a alguém de gestão se não conseguiu ir para economia, ou a alguém de engenharia civil, se não conseguiu ir para arquitectura.

Em conjunto, lê-se mais rápido.

O conhecimento progride e, de uma forma geral, nunca imprime o erro no que lhe precedeu. O que ocorre e, isto sim é certo, é uma actualização do conhecimento passado. O que era, passa a ser um pouco melhor; mais eficaz; mais rentável.

           O conceito de “equipas multidisciplinares” implica um certo desprendimento de posições conservadoras. Mas, isto não significa que a moderna visão dos cuidados de saúde, se manifeste reaccionária à anterior.

Lê-se em 6 minutos.

Caríssimo bastonário da Ordem dos Médicos,

         Prof. Dr. José Manuel Silva,

            Obrigado pelo seu texto de opinião acerca da Linha de Saúde24.

            Sou um estudante da Licenciatura em Enfermagem e tenho muito a aprender consigo. Mas, pelo que referiu no seu texto, tenho algo a dizer, dado que usei já, pelo menos uma vez, a Saúde24. Vi-me, assim, intimidado com o seu texto, ao sugerir o “fim tranquilo” deste recurso.

            Passo a explicar a minha indignação.

O seu investimento na leitura deste post é de 4 minutos

O Market Access Portugal tem despertado interesse, que tem vindo a aumentar, junto a todos os que se interessam pelas questões da Saúde e do SNS. Recebemos com frequência, emails com opiniões e textos que nos pedem para publicar. Nem sempre o fazemos, mas sempre que o conteúdo se enquadra na linha editorial, ponderamos a sua inclusão no blog.
Rafael Bernardes é estudante do 3º ano do curso de licenciatura em Enfermagem, na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. Escreveu um artigo sobre o Serviço Nacional de Saúde, em particular sobre a Enfermagem. Achamos pertinente o tema e mais ainda por ter sido escrito por um jovem de 22 anos. Obrigado Rafael.

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Polémicas à parte sobre o género masculino da palavra, alguém consegue explicar qual o papel dos Enfermeiros nos actuais Cuidados de Saúde Primários, CSP?

Porque haveria de me lembrar agora deste tema? Não, não é por causa das 35 horas, nem por dia 12 de Maio ser o Dia Internacional da Enfermagem. É mesmo porque o Enfermeiro pode ser uma parte fundamental da solução do SNS em Portugal e não uma parte do problema.

Na altura em que os grupos nomeados pelo actual governo, estão a trabalhar no que será o futuro da Saúde em Portugal, todos afirmam que os CSP são a pedra de toque do Serviço Nacional de Saúde. Mas então, vamos fazer mais do mesmo com os Enfermeiros?

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