Categoria

Digital

Categoria

Nothings last forever…

Nothings last forever, Of that I’m sure”, afirmava o arquitecto Brian Ferry no início dos anos 80; talvez estivesse enganado, ou talvez não…

Num momento em que o horizonte está negro devido à pandemia e os Delegados estão em confinamento, talvez seja oportuno pensar no Day After, no que se irá fazer quando as portas das unidades de saúde voltarem a abrir.

Não acredite que o médico será o mesmo e que vai aceitar, o que lhe era servido anteriormente. Desenganem-se os defensores ou os críticos do, digital, da visita presencial, do mix do omni channel, multi channel, smart omni ou de outro qualquer channel ou sigla apropriada, porque essa não é a solução milagrosa.

O digital é um complemento

Analisem os dados reais de utilização do digital, o interesse do médico, a taxa de abertura, a presença em webinars, em congressos virtuais… e verificam a diminuição ao longo do tempo, tal como o interesse na visita presencial, sendo que a visita tem o contacto e a simpatia pelo meio.

As métricas no digital são frias, directas e impossíveis de alterar, a não ser por magia; já as métricas do f2f, são baseadas no nº de visitas, na média e na percepção do Dim. Em comum, o facto de nada dizerem sobre a eficácia e eficiência, apesar do feedback positivo de quem as faz, de quem as gere e de quem as coloca como estratégicas. Mas então?

Mille tonnerres!

Mille tonnerres! Como diria Hércule Poirot o inusitado detective de Agatha Christie. Como raio se explica o comportamento do mercado em 2020, onde a promoção pelo DIM cai e as vendas aumentam? Que pistas nós temos?

“Centros de saúde realizaram menos 11,4 milhões de consultas presenciais em 2020; cuidados médicos presenciais nos hospitais, com menos 3,4 milhões de contactos em 2020, entre consultas, cirurgias e urgências”1; na maioria das companhias, a actividade presencial, visita médica, foi muito reduzida quase a zero nos CSP e nos Hospitais ficou mesmo a zero.

Quanto evoluiu o mercado farmacêutico, em Mat Dez20 com tantos milhões de consultas a menos? Não seria de esperar valores piores com tanto tempo sem promoção?

Sim, os Otc’s crescem menos ou até negativamente; a prescrição para a patologia aguda, cresce menos ou negativamente; e as marcas das patologias crónicas, crescem negativamente? Não. Mas então?

Linguagem Big Pharma, que fica sempre bem

Assisti a webinars sobre o impacto da pandemia. Unânimes, o digital era o novo normal, o amanhã; depois, passado uns meses, já não era bem a solução; ouvi sentida preocupação com o futuro, muita linguagem Big Pharma, que fica sempre bem; as perguntas sobre quando o regresso ao normal, quando podem os Dim’s voltar à rua, ou o papel da Apifarma, nunca foram respondidas. Nem podiam, porque nessa data ninguém sabia e nem hoje sabem. Mas então?

Como vai ser o futuro? Digital ou presencial? Com ou sem Dim’s?

John Pugliano, em 2018, no livro The Robots are Coming: A Human’s Survival Guide to Profiting in the Age of Automation, Edições Desassossego, afirma que a tecnologia e inteligência artificial são uma ameaça, não apenas para os operários fabris, mas para todos e até mesmo os licenciados e doutorados, correm o risco de ser substituídos pela tecnologia e inteligência artificial. Isto significa, que os médicos vão desaparecer?

Não, mas a área de actuação será reduzida, porque qualquer trabalho que seja rotineiro ou previsível, poderá ser feito, dentro de cinco ou dez anos, por um algoritmo matemático. Vejam por exemplo, os diagnósticos on-line que as companhias de seguros publicitam nos media. Mas então?

É capaz de solucionar problemas?

O autor afirma que crescem as oportunidades para as pessoas que sejam capazes de solucionar problemas, antecipar-se, assumir riscos e dar respostas criativas, tudo aquilo que em teoria, um algoritmo de inteligência artificial não possa solucionar.

Há áreas em que o melhor resultado, depende do contacto humano, factor que para já, é insubstituível por algoritmos, mas que pode ser complementado pela tecnologia. Não será a oportunidade para um Dim?

O confinamento mostrou que ninguém está preparado para as consequências. Não se espere que seja o Governo, o Ministério da Saúde, as ARS, os ACES e os médicos que trabalham para o Estado, a resolver o problema dos Dim’s, por mais que demonstrem solidariedade com a situação, por palavras ou por escrito. Para o grupo que actualmente gere a saúde, o Dim só serve para aumentar a despesa com o medicamento. Mas então, desiste-se?

Quem volta, como vai voltar? Ainda este ano?

Logo que haja segurança, as portas das unidades vão abrir-se. Resta saber como e mais importante ainda, quem volta como vai voltar, porque a doença, as unidades, os utentes e os médicos vão estar diferentes, depois da pandemia.

Se com tudo diferente, o Dim vai voltar com a mesma visita médica de sempre? Qual pensa ser a reacção do médico?

Haverá feedback a dizer que os médicos valorizam o regresso, que finalmente há Dim’s a fazer a diferença, que vai ser melhor que o digital, até porque já estavam fartos de visitas virtuais, de webinars, … Mas será mesmo assim?

O reino das percepções

O feedback da visita médica, com métricas de qualidade e não de quantidade, é baseado em percepções; que o médico gosta, que a visita é o mais importante meio promocional e que o DIM é fundamental. Apenas percepções do Dim ou até de estudos de mercado feitos por empresas credíveis. Porque falo em percepções?

Usando os anglicismos habituais, o share of voice e o share of time, são métricas de quantidade, mas que nada dizem sobre share of quality ou share of solution que o Dim aportou na visita e à prática clínica do médico.

Cada Dim terá em média 250 médicos e por vezes, a opinião que alimenta o feedback é de um nº reduzido, extrapolada para todo o painel, aumentando a percepção que a visita médica é excelente. O reino da percepção comanda a realidade. Contrariar isso só com a verdade.

As crianças e os legumes

Comer legumes é um martírio para a maioria das crianças, apesar de serem essenciais na alimentação. Choro e a cantilena do não gosto e não quero, todas as vezes que lhes são colocados no prato. E por mais que se esmere na preparação dos legumes e na arte de os dissimular, o “não gosto disto” vai acabar sempre por brindar o esforço dos pais, para além do imenso tempo que a criança fica na mesa, especada em frente ao abominado prato.

Uma coisa interessante é a de saber que a sua filha ou filho não gosta do seu trabalho, os legumes, mas isso nada interfere com o amor que ela ou ele sente por si. Por mais legumes que lhe faça, a reacção vai ser sempre a mesma – ele não desiste e você também não. E o resultado é o mesmo, eles não comem os legumes, a não ser que encontre uma maneira criativa para solucionar o problema.

O mais interessante desta dialéctica leguminosa é a verdade, é ficar a saber a opinião sincera sobre o seu trabalho.

Os médicos e os legumes que lhe serve

As crianças ainda sem filtros, não aprenderam a dissimular a verdade. O médico pela sua educação, não come os legumes, mas por deferência, dissimula o gosto do que lhe é servido, em 3 ou 5 minutos de visita.

Não gostar do conteúdo, não significa que não goste do Delegado e na verdade é esse gosto que na maioria das vezes surge no feedback; sobre os legumes, nada, apenas o sorriso do médico que ouve sem opinar. Claro que há excepções, porque se não houvesse não haveria regra.

Em 2019, na preparação de uma equipa de Dim’s de elevado rendimento, (focados na visita médica e na transformação de uma visita de 5 min, numa Value Story estratégica de 1 hora, envolvendo o médico na co-criação de soluções), utilizei esta imagem do feedback, porque acredito que o futuro está no Dim e na Visita Médica, se soubermos como evoluir.

A importância da verdade no feedback

Ao longo de mais de 30 anos neste sector, já assisti a muitas visitas. E de forma clara e objectiva, disse sempre quando não gostei.

Não gostar do trabalho de um Dim, não significa que não se goste da pessoa. A diferença é crítica e é impossível ser um profissional produtivo se houver quem insista em juntar estas situações.

Se precisarmos que todos gostem do nosso trabalho para nos sentirmos bem, não evoluímos, nem dignificamos a nossa consciência profissional. E se alguém se importa o suficiente para nos dizer que não gosta do nosso trabalho, a melhor resposta que podemos dar é dizer-lhe obrigado. Dar um feedback errado, incompleto ou nada dizer, coloca todos e o futuro em risco.

Devolver a dignidade a uma profissão

A visita presencial será a solução enquanto o médico permitir. Essa relação Médico/Dim depende da interacção, insubstituível por algoritmos, mas pode ser complementada pela tecnologia e o digital.

A visita presencial é a oportunidade para o Dim devolver a dignidade à sua profissão, não esquecendo que deverá evoluir face às condicionantes actuais; dessa forma o seu trabalho será reconhecido e valorizado por quem pode fazer a diferença – o próprio, a companhia e o médico.

Não queira voltar à rua apenas para fazer o seu trabalho. E se substituísse “fazer” por “melhorar”, “reinventar” ou “transformar”?

Falei no tema nalguns artigos deste blog.

Como vai o DIM “alimentar” o seu médico com a “Visita Médica”? Same Old Scene?

Melhorar, reinventar ou transformar a visita presencial é a forma de tornar a profissão de Dim insubstituível por algoritmos, nos anos mais próximos. Mas tem a certeza de que o médico gosta da sua visita?

A visita não é apenas um problema do Dim, vai mais longe na organização. Maioritariamente a forma é mais importante do que o conteúdo, criando um problema que deixa pouca margem de manobra ao Dim.

É preciso reinventar a Visita Médica, conhecer o médico, os seus problemas e ir á dispensa da ciência e escolher, não os mesmos legumes de sempre, mas algo novo, soluções que funcionem num marketing one to one e não de massas – trate o médico, como o médico e não como um médico. Este é o grande desafio que o Dim deve exigir para o futuro e não fazer parte de discussões estéreis em volta da ameaça do digital versus o presencial.

É preciso ser criativo, não a fazer a imagem mais gira para a literatura, mas com a precisão matemática de alimentar o médico com a ciência e evidência que resolva os problemas de saúde daquele médico/unidade e não os do produto que o Dim promove.

Conheça cada um dos médicos, saiba mais o que ele precisa, do que o que ele aprecia e se for preciso, mude de fornecedor de alimentos, desenvolva até uma cozinha de fusão, mas não lhe dê os restos, que quase todos insistem em servir.

Nothings last forever, Of that I’m sure

1 – https://www.jornalmedico.pt/atualidade/40686-centros-de-saude-realizaram-menos-11-4-milhoes-de-consultas-presenciais-em-2020.html

É possível vender MSRM sem o DIM?

A pergunta que anda na cabeça de todos os Delegados de Informação Médica é a mesma – Quando poderão voltar a visitar médicos nas USF, UCSP e nos Hospitais? Junho, Julho, Setembro, Janeiro de 2021? Ou nunca mais? Não há resposta previsível e esta não deve ser a pergunta a fazer; o que importa saber é como me devo preparar para a panDIMia que vem aí?

Uma USF não é a Alameda D. Afonso Henriques no 1º de Maio

É expectável que o mercado não vá abrir tão depressa e quando acontecer, não será igual ao que era dantes. Com tantas dúvidas que ainda existem sobre a Covid-19, não sei qual a forma como as unidades de saúde vão receber o DIM – entrando por uma porta lateral, numa sala dos fundos, com capacidade para o distanciamento aconselhado? Que papel o medo vai ter nestas relações entre a IF e o Médico? Todos vão querer retomar?

Quando penso no amanhã, vejo este governo liderado por uma esquerda anti IF, poder aproveitar a pandemia, para afastar de vez os DIM’s, sem ir contra a lei, aproveitando-a, alegando segurança, que uma USF não tem a possibilidade de distanciamento como teve a Alameda D. Afonso Henriques no 1º de Maio; por isso será aconselhável não haver a entrada de DIM’s. Percepciona-se assim, que a actividade da IF não será vital para a retoma da economia. E aproxima-se uma pandemia.

Em caso de crise

Será demasiada ingenuidade pensar que nada se alterará. É importante ter consciência que voltou a acontecer – um meteorito chocou contra a Terra. Não serão os mais fortes, os que têm mais anos de mercado, que conhecem muitos médicos ou até que têm mais vendas, que vão sobreviver, mas os que de forma mais rápida consigam adaptar-se a uma nova e para já, desconhecida realidade.

É bom que os DIM’s, os Area Managers e os Product Managers, não tenham apenas consciência do meteorito, mas que iniciem a transformação necessária, conscientes que não existe nenhum manual para seguir as instruções “em caso de crise”.

Começamos agora a escrever esse manual, como aqui neste espaço onde lanço a discussão e desafio quem quiser pensar por bem e não apenas para vir dizer que o F2F (Face to Face) é muito importante, que o DIM faz toda a diferença, que os médicos precisam da IF e mais um conjunto de frases que levantam o gáudio de todos, mas que são apenas intenções, desprovidas de soluções. É bom que tenham consciência que algo está a acontecer à frente de todos e que é necessário agir e transformar. Transformar para o D2F (Digital to Face) ouve-se por aí, entre o medo que o F2F acabe. É claro que o F2F vai acabar como o conhecemos, mas o D2F é a solução?

D2F a solução ou uma selva descontrolada?

Não devemos confundir e-commerce ou e-pharmacy, com D2F, a visita médica remota, a solução que se ergueu com a pandemia. Agora vai ser tudo digital. Mas quanto tempo acham que o médico tem disponível?

O D2F era solução quando poucos o faziam e agora é apenas ruído, porque de repente o médico vai receber n convites para remote detail, emails marketing, webinars, digital sem regras, controlo ou marcação. O médico, que antes do Covid-19 recebia 3 DIM’s por dia, muitos emails, poucos webinars, nenhuma visita remota, tem agora, logo às 9.00 da manhã o telefone a tocar, onde decerto mais de 50 DIM’s ligam para agendar ou fazer um D2F; deixando o telefone no bolso e tirando o som, abre o email e o spam está cheio; recebe dezenas ou centenas de emails de DIM’s a quem deu o consentimento de GDPR, aumentam a indisposição e a sensação de viver numa selva digital descontrolada. A paciência vai estourar e o D2F passa a ser o D2F***. Mas então, qual a solução? Um novo paradigma de vendas?

É possível vender medicamentos sem o DIM?

Não há um novo paradigma de vendas, porque o modelo é o mesmo – vender, na lógica de vendedor e cliente, frente a frente, a não ser que queiram que o médico compre, via email ou catálogo digital.

A pergunta que deve ser feita – é possível vender medicamentos sem o DIM? Já sei que vou ser insultado, mas conservem os insultos no frigorífico e pensem um pouco. Vejam as vendas de Março, Abril e Maio e considerem que a partir de 11 de Março, não houve mais visitas médicas. Como ficaram as vendas, em particular dos medicamentos para a doença crónica? Março foi anómalo pelas razões que todos sabemos. Mas Abril? E Maio?

Vejam em valor sell out, em ytd e o mat; já agora espreitem as classes, B01F – Inibidores Factor Xa, A10C – Insulinas humanas e análogos, A10P – Antidiabéticos inibidores SGLT2, R03F – Associações de agonistas-B2 e corticosteróides, C10C – Associações entre reguladores de lípidos e A10S – Agonista do GLP-1, entre outras. Todas estas classes continuam a crescer, no mat e ytd a 2 dígitos e no mês crescem a um dígito; estas 6 classes facturam mais de 430 milhões, somam um market share de 15%, salvam vidas a milhões de portugueses e poupam milhões de euros ao SNS.

Mas o mercado em Maio, semana a semana, começa a cair, o que é obvio, porque desde Março que tem menos consultas, menos urgências, menos médicos, unidades fechadas, medicina privada fechada. Mas então, é possível vender medicamentos sem o DIM?

O Carry Over dói sempre

Claro que é possível vender sem DIM. Todos sabemos isso e não confundamos com ser possível lançar produtos sem o DIM. Conhecemos o efeito Carry Over?

Na verdade, o que o Carry Over reflecte, é o nível de lealdade na prescrição, gerada pela promoção directa ao médico. Óbvio que o Carry Over depende das condições de mercado, das áreas terapêuticas, do ciclo de vida do produto, da diferenciação, da competitividade, entre outros factores. As vendas no ano seguinte são um mix da promoção e um bom pedaço de Carry Over, conforme podemos ver na figura.

O que se define por promoção? Antes ou depois do confinamento? Assistimos a um aumento do canal digital, emails, webinars e outros tantas formas e por último, a visita médica remota, que no geral, o DIM não gosta. Como não gostar da única forma onde em confinamento, o DIM tem intervenção, devendo usar todos as skills que não tem?

Falar no Teams ou no Zoom, não é o mesmo que no F2F. O DIM foi formado para o F2F, para a venda no contacto visual. Agora em casa, fora da zona de conforto, sob pressão e desajustado, tem de fazer o que sempre fez, ou seja, o maior número possível de visitas, para a média ser boa, porque uma boa média vende…

Call center? Não, DIM Center

Foi há dias que me enviaram para o meu WhatsApp este anúncio, não sem uns certos dizeres críticos, que reflecte a realidade, goste-se ou não. Claro que vão dizer que não é a mesma coisa, que a visita médica deve ser presencial, bla, bla, bla, …

Assim feita, a Informação Médica remota é um erro, porque pretende fazer o mesmo que foi feito com a visita médica F2F há dez anos, com equipas em espelho de vidros triplos e 300 DIM’s, onde o que contava era o número de visitas, o Share of Voice.

Share of Voice? Share of Time ou Share of Quality?

Todos dirão, Share of Quality, mas com a visita médica remota isso é possível? E se vos disser que o tempo de visita no Médico de Família, de 3 a 5 minutos, pode passar a uma média 60 minutos? Ou se vos disser que a Visita Médica Remota em tempo de pandemia, não será menos de 30 minutos e muitas vezes ultrapassa os 45 minutos? Consideram impossível?

Não é, e já se faz. Começa-se por não acreditar, derrubam-se barreiras internas, assumem-se novos conhecimentos, deita-se para trás o que sempre se fez e concentra-se todo o trabalho no conhecimento, na preparação e no problema do médico. E de repente o Share of Voice torna-se obsoleto, o Share of Time torna-se um ganho natural, porque exponencia-se o Share of Quality. Há um novo paradigma, não das vendas, mas na forma de trabalhar.

Um novo Paradigma de Job Profile

Esta é a realidade que foi acelerada com a pandemia. Depois do confinamento e do teletrabalho, o Profile do DIM vai ter de mudar, porque a forma de trabalhar do seu cliente, alterou-se profundamente. A distância passou a ser a sala de visita e a comunicação não presencial uma consequência. No confinamento, o horário de trabalho do DIM tornou-se um pesadelo e estar on-line em frente a uma câmara, a nova normalidade. Deixa de precisar do carro, perder tempo no trânsito, preocupação com o estacionamento, …

Com o confinamento e os resultados das vendas sem visita médica, tornou-se mais evidente o efeito do Carry Over, pelo que a pergunta que se coloca, é se é necessário F2F em todos os médicos. Sacrilégio? Não ou então todos os que fazem do marketing a sua forma de vida, renegam a segmentação e o profiling.

O Profile do DIM deve evoluir, para um profissional com o conhecimento amplo e concreto, capaz de alimentar um pensamento analítico, focado na resolução dos problemas do médico e da unidade de saúde, exímio na gestão do F2F com o D2F e com um horário de trabalho adaptável ao cliente, capaz de estar ao seu lado. Estranho?

Deitem fora o F2F e D2F

O confinamento veio provar que os desígnios da comunicação de vendas não se alteraram, mas os canais usados e a atenção necessária sim. Qualquer médico ouve e fala o tempo necessário, com algo emocional, racional e atractivo no campo da ciência o do seu trabalho.

Deitem fora o velho F2F dos textos de visita que poucos falam, atirem para o lixo o D2F medido em quantidade de emails enviados, abertos e lidos; em número de presenças nos webinars ou até dos poucos minutos que demora uma visita virtual. Se quero dizer que não deve haver F2F ou D2F? Não, não é isso que digo.

Há um diálogo atribuído a Hemingway, que parece resumir bem os desafios do futuro que virão depois desta guerra, no day After.

– Quem estará nas trincheiras ao teu lado?

– E isso importa?

– Mais do que a própria guerra.

Concentrem-se no S2S

O médico trava diariamente uma guerra contra a doença e nesse combate qual é o papel do DIM? Dizer-lhe que a melhor arma é esta, que deve apontar para aquele alvo, que usa uma arma errada e fraca, que falha constantemente o alvo, …

Isto é o que o médico está habituado, quer seja no F2F ou no D2F. Deitem fora estes velhos conceitos e concentrem-se no Side to Side, S2S; fiquem ao lado do médico, na trincheira onde ele combate a doença; saibam o que ele precisa, antecipem, percebam onde está o inimigo ajudem a derrubar as barreiras que ele enfrenta e ide para além do produto que promovem. É possível?

Claro que é e já alguns, muitos poucos mesmo, o fazem com sucesso. Conseguiram posicionar-se ao lado do médico, sabendo que vai haver uma altura em que a ajuda será para recarregar a arma com que o médico dispara. Se vai haver lugar para todos os DIM’s e para todos os médicos? Não…

Com que mentalidade voltam no Day After?

A maior ameaça para o futuro do DIM, é o próprio, o clássico delegado que fica preso à ideia que sem ele não se vende ou não se podem lançar novos medicamentos, que a relação e o contacto com os médicos é tudo, para além do tempo na zona. Estes conceitos verdade nalguns casos, podem constituir barreiras à evolução profissional e da relação com o médico.

O confinamento trouxe teletrabalho, formação à distância e actividades que tornam o DIM desejoso de voltar ao terreno; essa é a pergunta que todos fazem. Quando voltam? Ninguém sabe e não vale a pena continuarem a fazer a mesma pergunta. O que devem questionar é com que mentalidade voltam, o que aprenderam durante o confinamento e o que vão mudar na forma de trabalhar, porque o local onde trabalhavam, mudou.

A panDIMia vai continuar?

Mudar significa ser possível vender MSRM sem o DIM? Não se iludam, porque é possível. A panDIMia vai continuar e o mais provável é não haver lugar para todos, ao lado do médico, no S2S. Se o foco for apenas o F2F e o D2F, mais cedo ou mais tarde, serão atingidos pela panDIMia.

Não, a responsabilidade não reside na companhia, mas em cada um, na forma como enfrentam as dificuldades, como se preparam para o Day After, como segmentam os vossos clientes, como adquirem uma network, não de amigos mas de médicos que sabem ter-vos ao seu lado, Side to Side, a enfrentar o futuro, num F2F que deve renovar-se.

Escolham, digam mal do que por aqui se falou e vejam outros enquanto falam, ficarem ao lado do médico; ou então pensem como vão mudar a atitude. Jack Sparrow, famoso capitão pirata vaticinou que o problema não é o problema; o problema é a tua atitude em relação ao problema.

Por aqui voltaremos ao tema da segmentação da network e da forma como se faz S2S. Até lá fiquem em casa, seguros, mas activos.

A Saúde dos portugueses é um desígnio nacional? Sim, dizem muitos e em particular os políticos. Defender o SNS? Claro, todos o afirmam, de forma mais ou menos convicta. E de boas intenções está o inferno cheio.
Mas na verdade, como é que está o SNS? Acredita que está mal, obsoleto, sem dinheiro e sem capacidade para enfrentar o futuro?
E a revolução Digital veio ajudar? Ajuda, mas podia ser melhorada e mitigados os seus efeitos secundários. Mas pelo que se ouve e se lê, a Saúde Digital está doente e cada vez pior.

Digital Kills the Dim’s Stars?
Decerto que matará e muitos Delegados irão de certeza deixar de o ser. É necessário recriar o papel do DIM, através de novas competências e âmbitos de actuação diferentes, mais perto das necessidades do sistema de saúde.
Apesar da diminuição evidente do acesso do DIM ao médico, a oportunidade existe para um novo DIM. Mas é preciso compreender as ameaças e as oportunidades do Digital.

Lê-se em 6 minutos

Não, não é Bullshit. Já sei que vão praguejar no Facebook ou noutra plataforma digital dizendo quem é este, para estar aqui a falar? Ou escrever “ser Delegado de Informação Médica, DIM, é que é, que os meus médicos preferem os DIM’s”.
Leiam o artigo e pensem. Depois tornem a pensar se existe alguma forma de travar o inevitável. Não se esqueçam que a mudança continua e quem não muda, é mudado.
Não? Então comecem por pensar no Orçamento para a Saúde de 2017.

Lê-se nos minutos que puder investir

Pronto. Vão cair-me em cima todos os especialistas da matéria, com base nos títulos académicos e da experiência no sector e, mesmo não sendo pessoas de fé, vão acusar-me de blasfémia e sacrilégio contra o Deus, o tal de Marketing, que decerto não nasceu digital.
Em Portugal, somos pouco mais de onze milhões de almas. Na Saúde, quantos somos digitais? Deve ser muito maior a oferta do que a procura.

Pin It