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Corona Vírus

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Estamos em Guerra e a história irá julgar-nos, como cidadãos, como empresas, instituições e governo por todas as atitudes e medidas tomadas e sobretudo por todas as que não foram, antes, durante e depois desta guerra contra o Corona vírus.

É sobre isto que vamos falar, passando por temas como

 Estamos em guerra? · Corona vírus. Podemos dizer que fomos apanhados de surpresa? · Guerra pressupõe um inimigo, certo? · Se esse inimigo mata, temos rapidamente de o identificar. Mas como? · O inimigo vai matar, mas vai ferir ainda mais portugueses. Que fazer? · Quem e como combatem os que estão na linha da frente? · E os Cuidados de Saúde Primários? · Se estamos em Guerra, onde está a War Room? · Pensou em Winston Churchill? · E os Serviço de Informações? · Comando Controlo? · Estado de Emergência 1? · Estado de Emergência 2? · Como alimentar a máquina de guerra? · Combatentes sem armas nem munições? · E no Hospital? · Na guerra a verdade é a primeira a morrer? · Depois como fica a verdade? · Nesta guerra ninguém mente? · The Day After

Estamos em guerra?

Esta tem sido a frase mais tenho ouvida a todos os comentadores, especialistas de saúde pública e em particular aos governantes, entre os apelos a ficar em casa e as desastrosas comunicações ao país sobre a evolução da doença.

Sou um cidadão, com uma idade mais perto dos sessenta do que dos cinquenta, tendo a meu cuidado permanente, duas pessoas que fazem parte do grupo de alto risco.  Assistem-me todas as razões para me interessar sobre o que dizem os especialistas em saúde pública e os governantes que lideram este processo; interessa-me muito e devia interessar a todos, porque o futuro, a nossa vida e a dos nossos, depende em muito do que dizem, do que dizem que fazem e do que na realidade fazem.

Há uma ideia que não me sai da cabeça e por isso questiono-me.

Corona vírus. Podemos dizer que fomos apanhados de surpresa?

Estamos em guerra contra um inimigo invisível. Mas ele é assim tão invisível?

Para o cidadão comum sim, mas para quem está à frente dos destinos de um país, no ministério da ciência, da economia ou da saúde, deve estar atento aos sinais e saber antecipar; os serviços de informação devem funcionar, tal como em tempo de guerra, mas fundamentalmente em tempo de paz, altura em que se evitam conflitos.

Não devia ser surpresa, porque desde Janeiro que sabíamos da China, depois Itália e da Espanha. E já histórico de outras ameaças no passado, com outros vírus.

Mas pasmem-se com o Polígrafo; “no dia 18 de Outubro de 2019, dezena e meia de tecnocratas de luxo ao serviço das mais altas esferas do regime neoliberal globalista reuniram-se num hotel de Nova Iorque para realizar “um exercício pandémico de alto nível designado como Event 201. O exercício consistiu na simulação de um surto de um novo coronavírus de âmbito mundial no qual, à medida que os casos e mortes se avolumam, as consequências tornam-se cada vez mais graves’ devido ‘ao crescimento exponencial semana a semana.” E a publicação conclui dizendo que “Os dons proféticos dos expoentes do neoliberalismo são, sem dúvida, admiráveis”.

Disseram Liberais? Já percebi porque é que o nosso governo não ligou nada. (1)

Guerra pressupõe um inimigo, certo?

Se temos um inimigo, temos de o conhecer – o Corona Vírus. Correcto, por isso devemos olhar para os países que ele invadiu, perceber o seu método de ocupação e letalidade. Quem devia fazer isto?

O Ministério da Saúde, a DGS, Direcção Geral de Saúde e os seus conselheiros, como o Conselho Nacional de Saúde e tantos outros especialistas em Saúde Pública que por ali gravitam.  E o que fizeram. Nada?

Pior, porque a DGS literalmente disse que o vírus não chegava a Portugal, não era facilmente transmissível de pessoa para pessoa e alguns especialistas em Saúde Publica afirmaram ser apenas uma gripe.

Mas não é a mesma DGS, a mesma Ministra, o mesmo Ministério, os mesmos especialistas, que agora nos vêm falar de guerra e de combate?

Dirão, a coisa evoluiu.

Se esse inimigo mata, temos rapidamente de o identificar. Mas Como?

Com testes, obviamente, muitos testes, testar, testar, testar. Foi isso que as nossas autoridades fizeram?

Não. Então como combater um inimigo que não vemos e não sabemos onde está?

O Comandante Supremo das Forças Armadas de Portugal, indirectamente diz que não interessa procurar o inimigo, ou seja, o Presidente de Portugal, diz que não vale a pena testar todos os portugueses, porque pode haver falsos negativos ou até gerar uma onde de falsa segurança;  o Presidente, o Governo, a Ministra da Saúde, a DGS e certos especialistas, não assumem os testes como arma fundamental. Incrível esta postura das autoridades.

O Governo de Portugal devia ter ido ao mercado, comprar testes e testar o maior nº possível de portugueses; se não há testes que cheguem, comprem, mas não nos mintam, em campanhas de desinformação, afirmando que não vale a pena testar, usar máscaras, luvas e outros equipamentos de protecção pessoal.

É incrível a irresponsabilidade de quem nos dirige nestes tempos de guerra, recusando seguir a sensatez das medidas de protecção, apenas porque não se prepararam e não reconheceram a ameaça atempadamente; mais do que as recomendações da OMS, vejam os factos da ciência e dos países que estão a ganhar esta guerra. O quadro seguinte não precisa de explicações.

https://www.maskssavelives.org/?fbclid=IwAR2NRLxegkZs5mm2t3RhJXeQhUbToahjfUxNteN3Lejv_YIEQhUjEp9je90

E este filme, dum pequeno país europeu é auto-explicativo.

O inimigo vai matar, mas vai ferir ainda mais portugueses. Que fazer?

Numa guerra, muitas vezes o inimigo não quer matar, mas ferir, porque ferir implica a utilização de meios de retaguarda, envolve mais gente para cuidar, obriga a gastos com meios de saúde, salvamento e transporte; e no fim, os feridos desmoralizam os que combatem e quem vê as consequências. E a moral de um povo cai por terra.

Era preciso desde a primeira hora, criar unidades especificas para tratar estes doentes, isolá-los quando identificados e avaliada a sua gravidade por profissionais habilitados.

Era preciso desde a primeira hora, retirar da zona de combate dos hospitais, quem nada lá estava a fazer, terminar com as consultas e não urgências e levar esses doentes que continuam a precisar de cuidados médicos para outros locais, outros hospitais não Covid-19; depois era preciso desde a primeira hora e por região, por ACES ou zona de influência dos centros hospitalares e com o apoio dos municípios, reservar locais e camas para os doentes feridos pelo corona vírus.

Foi isso que se fez? Não e a região norte é bem o espelho dessa situação, inicialmente uma das mais afectadas. Não houve um real plano de emergência e liderança no processo. Quem tomou decisões, não ouviu os médicos e os enfermeiros que estavam na linha da frente, apesar dos apelos insistentes dos Bastonários.

Doente com Covid-19 confirmado e sintomatologia já preocupante (não defino os critérios médicos para isso) deve ser levado para locais específicos e tratado por equipas especializadas, protegidas e com material de combate adequado; quem não tem Covid-19 deve continuar a ser tratado em hospitais e unidades de saúde, onde não circulem doentes confirmados. Por isso testar a população era e continua a ser fundamental para saber, onde se esconde o inimigo e para não o trazer para dentro das nossas linhas defensivas.

Quem e como combatem os que estão na linha da frente?

Sejamos claros. Ninguém estava preparado para esta guerra.

Não vou falar das nossas Forças Armadas, pequenas e mal equipadas, desmanteladas ao longo dos anos de democracia por sucessivos governos e por racionais de esquerda pouco concordantes com organizações de comando controlo.

As Forças Armadas são compostas por três ramos – Exército, Marinha e Força Aérea; façamos a analogia com os Cuidados de Saúde Primários, Hospitais e Cuidados Continuados/Paliativos.

Tomemos como exemplo o ramo do Exército, com diversas Armas – Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Administração Militar, Engenharia e Transmissões; dentro destas Armas, temos o exército regular, os Comandos e os Rangers, estes últimos designados por tropas especiais. Podia continuar a analogia com o sistema de saúde, mas julgo não ser preciso.

Numa guerra, todos têm a sua função e será óbvio que as operações mais importantes onde é necessário um ataque preciso e letal, sejam efectuadas pelas tropas especiais, mais bem equipadas e preparadas.

Actualmente qualquer militar tem na sua farda, joelhos e cotovelos protegidos, capacete, armas de defesa e ataque, óculos protectores, coletes de protecção, munições… no fundo o que equivaleria nos médicos, enfermeiros e outros técnicos que estão na linha da frente, a fatos de protecção, máscaras, viseiras e luvas, substituídas sempre que necessário, ao longo do dia.

Foi isso que aconteceu nesta guerra, nos nossos hospitais? No início são muitos os relatos que nos dizem que as nossas tropas, os médicos e enfermeiros da linha da frente, foram abandonados, sem liderança, sem equipamentos de protecção, ou seja, sem meios de combate em número suficiente. Mas há quem negue isto e faça dos médicos e enfermeiros, mentirosos.

Alguém treinou os nossos médicos, enfermeiros e outros técnicos de saúde para combater nesta guerra? Não e na verdade a liderança do combate e a aquisição do conhecimento científico, foi feita na comunicação social, nos painelistas, nas redes sociais e na desinformação emanada pela DGS e autoridades de Saúde – o exemplo dos testes, do uso das máscaras e luvas, sobre o ibuprofeno, …

E os Cuidados de Saúde Primários?

Total desorientação nos primeiros tempos. Lembram-se de doentes fechados nas casas de banho?

Recordo o do Dia D, o desembarque na Normandia. Foi uma operação que levou meses a preparar, mas que teve em consideração quase todos os pormenores, menos as vicissitudes do mar e do clima.

Nos CSP temos mais de 10.000 profissionais entre médicos, enfermeiros e outros combatentes. E a verdade foi que estes combatentes foram literalmente abandonados ao destino e à sorte do Corona Vírus, com toda a desinformação, uma linha de apoio que não funcionava e sem orientações precisas, deixando-os abandonados e unicamente assistidos pela circulação de informação em grupos de colegas no WhatsApp.  

O Dia D resultou porque tinha três coisas fundamentais – soldados, equipamento e liderança. Nesta guerra que estamos a travar temos apenas uma coisa – soldados empenhados e que juraram um dia, lutar até ao fim para salvar vidas.

Se estamos em Guerra, onde está a War Room, a Sala de Guerra?

Não está. Onde está a liderança? Não está. Onde está a comunicação? Não está.

Combater numa guerra não é para a população civil, mas para militares, profissionais treinados para agir sob pressão, em teatros de guerra e destruição.

Se estamos num cenário de guerra, então é bom que se assuma que liderar o combate numa guerra não é para políticos sem preparação, em que muitos nunca lideraram equipas, nunca trabalharam sem ser nas fileiras do partido e que chegaram a cargos políticos sem formação em liderança e condução de pessoas em situações de crise.

Nessa Sala de Guerra deve haver médicos, enfermeiros, farmacêuticos e tantos outros profissionais, consoante as necessidades do combate.  

Lembram-se dos fogos em Portugal? Lembram-se de Tancos? Lembram-se do que sucedeu às Forças Armadas em Portugal? Devolveram-nos a liberdade e os políticos portugueses, com medo dos militares, quase que extinguiram as Forças Armadas, sujeitando-os a uma humilhação sem precedentes.

Pensou em Winston Churchill?

E bem, porque ele foi político, mas foi um oficial que combateu na 1ª Grande Guerra.

Sem a capacidade de liderança, nem humildade dos políticos em o reconhecer, não temos uma Sala de Guerra, comandada pelo Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, líder das tropas no terreno, em conjunto com o 1º Ministro, líder do governo que suporta a guerra e que se deve preocupar com a recuperação da economia e com o combate político na Europa.

E o Serviço de Informações?

Este serviço é fundamental e deve reunir peritos de medicina, estatística e de saúde pública, entre outros. A ideia é reunir aqui, todo o “state of the art” da pandemia, estar em contacto com o mesmo departamento de outros países e garantir que temos a última informação e capacidade analítica para gerar informação fidedigna para que, na Sala de Guerra, se possa traçar o plano mais eficaz para a pandemia e os combates que se travam em cada região.

Dou como exemplo algo de muito simples – será que em todas as frentes de combate, ou seja, em todos os hospitais, o protocolo utilizado com os doentes é o mesmo, incluindo procedimentos médicos e terapêutica medicamentosa?

É certo que precisamos de ventiladores, mas será que todos os que devem saber, sabem utilizar estes aparelhos? E nas unidades de cuidados intensivos, devemos aumentar as camas, mas temos equipas devidamente treinadas para elas?

Não, este serviço não é a linha de apoio ao médico que o ministério montou, que a maioria das vezes, segundo informação de quem para lá ligava, não funcionava. E pergunto, a esse propósito, o que fez com que a ministra atribuísse um louvor em Diário da Républica?

A critica não tem a ver com os médicos que participaram e foram louvados, mas na atitude da ministra de não louvar os médicos e enfermeiros da linha, não telefónica, mas da linha da frente de combate, um por um. Mais uma vez o discernimento e a liderança em questão.

Comando Controlo?

Todos devem agir sob lógica de comando controlo, um plano traçado para vencer o inimigo. O Comandante das forças, deve estar rodeado da informação correcta que vem do terreno, numa cadeia de comando vertical e silenciosa, onde a imprensa serve o combate que se trava e não faz parte dos que atrapalham o combate, com reportagens idiotas e informação não confirmada, comentada por quem de saúde nada sabe.

Deve conhecer-se as forças no terreno, as necessidades das populações e de forma ímpar, graduar como oficiais que juram obediência ao Comando de Portugal, médicos e enfermeiros civis, os profissionais que trabalham na linha da frente de uma dada região, auxiliados por um oficial militar que responde à cadeia de comando, partilhando a informação correcta e actualizada e não a bagunçada que todos os dias vemos com os números da DGS e do Ministério da Saúde.

Depois, libertem os médicos de família dos CSP para tratar doentes e para isso coloquem-nos a atender doentes e retirem-lhes toda a burocracia e os telefonemas que não sejam de utentes; juntamente aos administrativos de cada unidade e do ACES, juntem militares no apoio a essas funções burocráticas, mas fundamentais.

Isto é impossível, isto atropela a Constituição poderão dizer. Vamos precisar de chegar ao Estado de Sítio para chamar os militares e colocar a hierarquia militar a comandar os destinos do país?

Se perdermos tempo com estas discussões, vamos deixar morrer médicos, enfermeiros e muitos portugueses. Mas depois, não nos venham dizer como se fossemos idiotas, que estamos em guerra, em estado de emergência, mas que não querem agir como tal.

Estado de emergência 1?

É importante continuar em Estado de Emergência, mas é ainda mais importante que ele sirva não apenas para manter as pessoas em casa, mas para conseguir proteger as que mais precisam e os que precisam de trabalhar.

A este propósito da protecção dos mais necessitados, fiquei incrédulo, quando ouvi a ministra dizer sobre os idosos em lares privados ” Estas instituições têm de ter um plano de contingência, que implica que tinham de ter pensado, porque essa informação foi disseminada há dias ou até semanas, como deviam preparar-se para uma situação deste tipo”.

Preparar-se para uma situação deste tipo? A arrogância como foi dito faz-me perguntar se o governo, o ministério e a DGS, não se deviam ter preparado melhor, ter um plano de contingência, que implica que tinham de ter pensado antecipadamente, porque a informação sobre o Corona Vírus foi disseminada desde Janeiro? Incrível a desfaçatez política e ideológica.

Num país idoso, as autoridades acordarem só agora para os lares? Quando se vão lembrar dos Cuidados Continuados e dos Paliativos?

O Estado de Emergência implementa-se para nos proteger da pandemia, mas será que nos protege de quem diz proteger-nos, será que nos protege das políticas erráticas e incoerentes? Recordo apenas que o 1º Ministro e muitos outros, não queriam ir para Estado de Emergência e na votação na Assembleia da República, houve até quem se abstivesse.

Estado de emergência 2?

Continuando na lógica dos políticos coerentes, houve partidos que continuaram a abster-se e outros que mudaram o sentido de voto, da concordância para a abstenção e pasme-se da abstenção para contra. Como é possível, colocar argumentos perante a vida das pessoas, a vida de um país?

Neste Estado de Emergência 2, o 1º Ministro já está a favor e até agravou as medidas. O que o fez mudar? A saúde ou a economia?

Agravar as medidas é a única hipótese de não fazer colapsar o SNS que está muito perto disso e do burnout de quem está na linha da frente. O Presidente no seu discurso mostrou o quadro negro que se avizinha; o discurso do 1º Ministro, do Ministério da Saúde e da DGS, com a conversa da curva em planalto, transmitem uma sensação de que está tudo controlado passando uma sensação de segurança, a meu ver falsa.

Como alimentar a máquina de guerra?

São muitos os exemplos da resistência francesa na 2ª guerra mundial, que dinamitava as linhas de comboio que transportavam munições, gasolina e mantimentos para os soldados alemães que combatiam na Bélgica, no Inverno duro e fatal.

Que fazemos para proteger quem deve assegurar o abastecimento de todas as cadeias de distribuição, os supermercados, as forças de segurança, recolha do lixo…?

Que fazemos para assegurar que as fábricas, os agricultores e todos os que contribuem para a a nossa vida em quarentena, possam trabalhar e saber que as suas famílias estão em segurança?

Já falei dos materiais de protecção e de ventiladores, algo muito falado em toda a comunicação e redes sociais. E os medicamentos?

A grande parte dos medicamentos e dos seus princípios activos, têm origem na produção da China e da India. Com o fecho de fronteiras, com as consequências da pandemia, o transporte via terrestre sofreu uma procura sem precedentes.

Será que o governo e o Infarmed já reuniram com a Apifarma e com a Apogen, para garantir stock suficiente de medicamentos? Falo de antihipertensores, estatinas, anticoagulantes, antidiabéticos e outros medicamentos para a doença crónica?

Já pensarem em abrir uma para garantir que os medicamentos possam chegar a Portugal atempadamente? Acreditamos se nos disserem que sim?

O apelo à via verde foi formulado pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao verificarem-se constrangimentos nas fronteiras europeias. Não façam nada e depois queiram continuar a combater.

Combatentes sem armas nem munições?

Este é um assunto sério. Provavelmente o governo já pediu à Apifarma e à Apogen, através do Infarmed, para as companhias farmacêuticas reforçarem o stock de medicamentos, de forma a que nada falte. E provavelmente assume-se como um Pilatos, lavando as mãos se alguma coisa falhar, para depois apontar o dedo à IF.

Pensem comigo – as fábricas recebem dois pedidos, um para Portugal e outro para a Alemanha; ainda que haja solidariedade europeia, o lote alemão é muito maior do que o português, logo vai primeiro; depois, não têm que fazer embalagens pequenas, de 10 ou 16 comprimidos que nunca se vendem e são destruídas sendo a IF taxada com isso; depois, sim depois, não têm que por uma etiqueta com o preço, coisa única na Europa, só feita em Portugal; depois nos quarteis generais das companhias fazem-se contas para não se despedir pessoas, neste período de crise mundial, o esforço que o governo português pede aos laboratórios ainda será taxado com um imposto especial, para além dos impostos normais que as empresas têm. Então, de novo a pergunta – as fábricas recebem dois pedidos, um para Portugal e outro para a Alemanha. Para onde fabricam primeiro?

Reúnam de verdade com a Apifarma e a Apogen, aproveitem este momento para extinguir alguns dos disparates existentes com a política do medicamento em Portugal e depois exijam à IF o esforço de guerra.

Uma coisa vos digo – se faltarem medicamentos, o governo e a esquerda vão apontar o dedo aos laboratórios e nada será tão falso.

E no hospital?

Pior, se não houver a dita via verde. Na verdade, pelas lei da contratação pública, o hospital adjudica a uma companhia e essa, logisticamente prepara o stock para o fornecimento de um ano; todos os outros concorrentes saem do jogo, porque não vão ter produto, uma vez que perderam o concurso.

Com a dependência da Índia (já em lock out) e da China, se a Europa não tiver esta via verde, arriscamos um colapso a um outro nível, o da falta de medicamentos hospitalares.

Em tempo de guerra, este fornecimento tem de ser assegurado e o governo devia já ter reunido com os representantes das companhias farmacêuticas, não por email, mas na Sala de Guerra e nós, os cidadãos devíamos estar informados dos esforços conjuntos, de forma a ficarmos descansados e acreditar que tudo está a ser feito. Mas se alguma coisa correr mal a este nível, eu sei qual vai ser a verdade que abrirá os telejornais – Indústria Farmacêutica não cumpre com os contratos e é responsável pela falta de medicação hospitalar, ao que a esquerda vai apontar o dedo e clamar castigos.    

Na guerra, a verdade é a primeira a morrer?

Li há poucos dias no DN e cito “no filme Uma Questão de Honra, o personagem interpretado pelo Jack Nicholson grita “tu não sabes lidar com a verdade”. Lembrei-me disso ao ouvir alguns apelos para que se diga sempre a verdade sobre a real situação da pandemia. Isto tem uma razão de ser: quem os faz sabe que há uma enorme probabilidade de isso não acontecer. O crescimento do problema trará também acrescidas dificuldades de comunicação e de julgamento sobre o que será melhor ou não dizer às pessoas. Não poucas vezes as autoridades vão confrontar-se com o dilema de dizer a verdade, omitir ou, pura e simplesmente, mentir.

Por muito que custe, dizer sempre a verdade, nestas circunstâncias, pode não ser o melhor para a comunidade. Convém lembrar que até as mais avançadas democracias liberais prevêem a possibilidade de censura em situações-limite.

A questão é: será que os portugueses vão continuar a conseguir lidar com a verdade de uma forma serena?”

Uma coisa é não dizer tudo, outra é omitir, outra é mentir, outra é dizer disparates. Quando tudo isto se liga à falta de liderança e à politiquice de políticos maus, a pandemia será muito complicada de debelar.

Omitam, mintam, disparatem e um dia destes, os confrontos na rua, de quem viu os seus morrer, de quem não tem trabalho, dinheiro e futuro próximo, vão acontecer.

Depois como fica a verdade?

Será aí que vamos para Estado de Sítio e chamamos a tropa?

Escuto o Presidente da Republica, o 1º Ministro, a Directora da DGS, a  Ministra da Saúde e comentadores arregimentados que, que apesar das mortes e do número de infectados aumentar, não falta material onde é preciso, não faltam testes e os testes não devem ser feitos a todos, as máscaras de protecção não são para usar por todos e o malabarismo dos números são apenas confusões momentâneas ou esquecimentos de última hora.

No último domingo assisti a um célebre comentador da noite televisiva, que tem sempre informação privilegiada, dizer com enfase que está tudo a correr bem e que vão já ser feitos 10.000 testes nos lares de idosos, uma excelente medida. Não é mentira, mas o que diz não contribui para a verdade, porque o que ele devia dizer-nos com a sua informação privilegiada, é porque não se fazem a todos os portugueses e porque só agora os lares de idosos.

Não me pergunto de quem vem a informação privilegiada que tem, mas antes porque vem?

E questiono-me se no fim, quando a pandemia acabar e fizermos as contas às consequências, que vão pensar todos os que julgaram importante não dizer a verdade e contribuir para um estado de obnubilação da realidade?

Nesta guerra, ninguém mente?

Nesta guerra, ninguém mente nem vai mentir a ninguém. A frase não é minha, mas do PR, a figura mais elevada da nação e o Comandante Supremo das nossas Forças Armadas. Mas recordo uma promessa que ele fez nos incêndios a um velhote que acabou por falecer sem ver a promessa…

Os números do Covid-19 entre mortos, infectados e em teste são verdadeiros? Não, não são porque não há teste para todos, os testes que são pedidos demoram, os números são desconexos de um dia para o outro, os doentes são dados como curados sem fazerem teste de negatividade; e não digo mais sobre os números e a verdade deles.

O Secretario de Estado da Saúde, afirma que “neste momento não haverá ninguém sem médico de família, garantidamente. Mesmo as faixas mais vulneráveis da população, como migrantes ou refugiados, vão ficar abrangidos por esta situação e todos eles terão direito à sua assistência e ao seu médico de família”.

A sério? Andamos anos para resolver este problema e agora fica resolvido? E querem que se acredite? Ou aumentamos a lista de inscritos por médico e os doentes têm médico, mas não têm consulta?

The Day After

A lógica que muitos utilizam para que primeiro devemos combater o vírus e que sobre as eventuais falhas teremos tempo para falar, no tempo certo, é errada e perigosa. Isto significa que podíamos corrigir a tempo, mas que insistimos em deixar estar pessoas a dirigir os destinos da nossa vida.

Quantas mais pessoas precisam de morrer para que a ideia idiota do politicamente correcto caia de vez? Quando a morte bater na porta de um amigo ou familiar, como vai pensar? E se fosse consigo?

Há quem diga agora que a primeira regra é não embirrarmos uns com os outros. A sério? Então devemos aceitar como carneiros acéfalos, todos os disparates que nos dizem?

Havemos de ouvir os ideólogos do regime actual dizer que Portugal fez um excelente trabalho, dar vivas ao SNS, afirmar que as duas senhoras são heroínas, o que já acontece como ouvi na Sic Notícias, que conseguimos números diferentes do resto da Europa e que afinal a estratégia portuguesa foi um sucesso, admirada por todos na Europa. Mas Portugal também é diferente, está longe de tudo, só tem uma fronteira, estamos em época baixa de turismo, …

A verdade que não morre mesmo, é que estamos longe, muito longe do fim da pandemia e nada abona em nosso favor.

Aprendi que este vírus enganou as autoridades de saúde portuguesas, que se regeram por opiniões de quem menosprezou a evidência, a mesma evidência que depois utilizaram para justificar a desconsideração inicial pelo vírus. Perante a declaração de pandemia, continuaram a assobiar para o lado, na doce esperança de que o vírus não nos contagiasse, nem às pessoas nem à economia. Todos ouvimos as recomendações iniciais do Conselho Nacional de Saúde.  Um desastre completo.

A arrogância política de afirmar que “a meio da batalha, não se mudam os generais”, é a mesma arrogância que leva a despedir por telefone na véspera, um comandante com provas dadas, no meio de uma batalha sem precedentes na história da humanidade.  

E não se despede quem devia, quem não preparou o país. É bom que essas pessoas não precisem de receber um telefonema para sair, mas que saiam pelo seu pé, quanto antes.

É bom que todos nos lembremos disso no Day After, na hora de decidirmos o rumo do país.

O Day After vai definir de que matéria somos feitos. É disso que iremos falar.

 (1)

https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/em-outubro-de-2019-realizou-se-um-exercicio-de-simulacao-de-um-surto-de-coronavirus-em-nova-iorque?fbclid=IwAR2NRLxegkZs5mm2t3RhJXeQhUbToahjfUxNteN3Lejv_YIEQhUjEp9je90
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