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jose ribeiro

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O Infarmed na invicta. Que desastre político…
Há uma enorme lição a retirar deste episódio e de todos os que já aconteceram nesta legislatura. A política é tão traiçoeira como infame, mas não podemos esquecer que não existe política, mas políticos, homens e mulheres que com as suas atitudes e acções determinam o que ela é, através da ética e da moral, se é que estes valores podem ser colocados na maioria dos políticos.
Ouço dizer que o Ministro da Saúde está muito fragilizado com todas as questões e contestações que estão a acontecer no sector. Está?

Acredito que se possa pensar assim e até dar crédito às vozes que no interior do partido socialista querem entregar o Ministro, à Santa Inquisição da fogueira partidária.
Podemos acreditar em quem, para se valorizar e não sair da ribalta, lance ideias de que há grupos de pressão, personalidades que crepitam no purgatório do adultério político e lançam para o inferno da imprensa, “soundbytes” que mantêm essas pessoas, naquele lugar que apenas a falsa importância que acham ter, lhes confere. Mas vamos por partes.

Arrumados que estão os adjectivos
Assisti no dia 19 de Setembro à entrevista que o Prof. Adalberto Campos Fernandes, concedeu ao jornalista Vítor Gonçalves da RTP3. Ouvi várias vozes elogiar o Ministro e criticar o jornalista, dizendo estar mal preparado, que não sabia ler os números publicados, que… Ou seja, implicitamente estavam a dizer que o Ministro esteve bem, mas que o “bem”, foi concedido e originado pela má preparação do jornalista.
O jornalista em questão é um excelente profissional. Estando bem preparado, essas vozes são injustas, não somente para o referido jornalista, mas também para o entrevistado, que tecnicamente é o melhor que já tivemos, um político experiente, com grande poder de comunicação e uma capacidade impar de argumentação.
Arrumados que estão os adjectivos, o que devemos dizer, é que apesar do jornalista ter a lição estudada, toda a estratégia que preparou, foi desmontada pelo Ministro, com um discurso verdadeiro, objectivo e honesto; assumiu os erros, afirmou que nem tudo está bem, desmentiu veementemente os tais “soundbytes da política”, disse que podemos e devemos melhorar, não mentiu e disse que a sua governação é das mais difíceis que já houve, pelo legado do anteriores governos, do PSD e do PS.

O mérito do Ministro não advém do demérito do jornalista
Esta atitude nunca esperada de um político, ainda mais de um Ministro, atirou por terra toda a estratégia do jornalista, não preparado para uma honestidade e franqueza nas respostas.
Desculpem-me todos os que deram os parabéns ao Ministro, ressalvando a não preparação do jornalista. Façam-lhe as honras, mas não desvalorizem o jornalista, que em cada resposta que recebia, perdia a oportunidade de mais 3 perguntas agressivas.
O mérito do Ministro não advém do demérito do jornalista, mas sim do muito que sabe sobre saúde e de fazer política, de forma diferente.
E comparem; comparem com o antigo Ministro Moita de Macedo, como diz um médico jornalista que muito estimo. Campos Fernandes dá o corpo às balas, é ele que fala sempre ou quase sempre; Paulo Macedo enviava o seu fiel Secretário de Estado, Leal da Costa, que apanhou tanto que já não sentia dor política alguma.

A Troika do Ministro da Finanças
Para todos os que criticam os ministros, saibam que invariavelmente, neste ou noutro governo, eles começam sempre em condições lastimáveis. O ministro anterior, começou com um grande buraco financeiro na Saúde e com a Troika; o actual começou com um grande buraco financeiro na Saúde e com a geringonça.
Um tirou as 35 horas, outro teve de as dar; o anterior deu mais dinheiro e quarenta horas aos médicos, o actual resiste a dar as 35 horas sem retirar o valor das 40.
Um teve a Troika como defesa, outro apenas os resultados e exageros da Troika.
Um não teve dinheiro e outro também não tem.
Um desculpou-se com a Troika e até a ultrapassou; e o outro com a Troika do Ministro da Finanças, Mário Centeno.

O 1º ministro deste governo deve…
Espera aí. O actual Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes não se desculpou com o Ministro das Finanças, por não lhe dar dinheiro para a Saúde e até disse que somos todos Centeno, o que lhe valeu um coro de assobios e um catrefada de balas na sua direcção.
Deu o corpo às balas, não mandou o Secretário de Estado falar e defendeu o seu governo como uma equipa, não exigindo dinheiro às finanças e mostrando solidariedade para com o 1º ministro, mesmo até no triste episódio do Infarmed.
O 1º ministro deste governo deve muito ao seu Ministro da Saúde; deve-lhe a coerência e a lealdade; deve-lhe muito pela fidelidade demonstrada neste episódio rocambolesco do Infarmed, pela figura que teve de fazer nas entrevistas e na Assembleia da Republica.
Deve-lhe muito por não bater com a porta e demitir-se, quanto Centeno diz que há má gestão na Saúde e não lhe dá uma lição de política e de sentido de Estado, não originando dessa forma, uma crise governamental.
O 1º ministro deste governo deve muito ao seu Ministro da Saúde, mais até do que possa imaginar. Se um dia lhe vai pagar? Vamos ver qual a sua lealdade para com um dos seus ministros mais importantes.

Já estou a ser destratado
Por esta altura já estou a ser destratado por parecer defender o actual Ministro da Saúde, quando estou apenas a defender a sua postura e integridade política.
Outro qualquer, como muitos de nós, atirava a toalha ao chão e dizia ao colega Centeno, “Não somos todos Centeno. Faz tu melhor pela saúde, esquece a Europa e trata dos portugueses”.
Basta perceber as greves, umas oriundas da zona laranja e outras oriundas da zona vermelha. Mas a vergonha maior é o que se passa com os Enfermeiros, que já não sabem em quem confiar, tal é a guerra entre sindicatos.
O que me faz falar deste Ministro antes que a campanha eleitoral comece de forma mais declarada, é tentar perceber porque aceita, sem claudicar, as balas do PC e do BE, do PSD e do PP, dos próprios que nomeia, com rajadas dos enfermeiros, dos médicos e de todos os que trabalham no sector?
É o tacho, dirão uns, o dinheiro, dirão outros, os interesses dos privados, ainda outros…
A sério?
Será a história a fazer justiça à sua governação e daqui a um ano faremos as contas da saúde em Portugal, antes e depois do seu Ministério.
O ano de 2019, vem com eleições e um novo orçamento de Estado. É bom saber para onde vai o dinheiro do próximo OGE e o que propõem os partidos para a Saúde dos portugueses. Para já, o que já ouvimos e vimos de alguns partidos não parece nada promissor.

Os médicos são funcionários públicos de terceira
A greve dos professores passava nas noticias, numa televisão durante a pausa para café, de um workshop onde participava com vários médicos. Com um café na mão, a conversa foi parar aos professores, “esses privilegiados” e ao Ministro da Saúde. As balas sibilavam…
“Nós os médicos somos funcionários públicos de terceira e o Ministro nada faz. Trabalhamos 40 horas enquanto os professores, esses privilegiados, trabalham 35 horas e nesse horário incluem o tempo para preparar aulas, avaliar cada vez menos alunos, porque diminuem os alunos por turma…
Eu como médica hospitalar trabalho mais de 50 horas por semana e quando chega a hora de sair do hospital, se ainda houver doentes não saio, porque não deixo de os consultar. Mas a maior parte das vezes, não posso ver os doentes porque a funcionária administrativa diz-me, “Doutora já está na hora, tenho de sair”, com ainda meia dúzia de doentes na sala.
Fico com um olhar perdido, sem saber o que fazer. E pergunto-me, porque é que sou médica? O que faz o meu Ministro que é medico e já foi administrador hospitalar?”

A disparar para a pessoa errada
O som contínuo das balas a serem disparadas era ensurdecedor, mas o silêncio acabou por cair, não por que quisessem, mas porque tinham de mudar os carregadores.
Foi então que um médico internista, na casa dos 50 e muitos, de cabelo curto e barba branca aparada, disparou com a voz calma.
– Estão a disparar para a pessoa errada. A culpa não é do Ministro da Saúde.
Vocês tropeçam todos os dias na incompetência, em colegas e outros técnicos de saúde que não sabem o que fazem e não fazem o que devem.
Como vocês sabem, ninguém lhes diz nada, não são substituídos nem despedidos. Podiam dar o lugar a quem quer trabalhar em prol da saúde e do doente. Colegas, é o privilégio de ser funcionário público, sindicalizado em sindicatos dominados pela esquerda.
Vejam a moça do Bloco, a Catarina Martins, que avisa somente aprovar o Orçamento de Estado, quando contarem o tempo de serviço dos professores, congelado ao longo de nove anos. Porque é que só fala dos Professores? Então os médicos e os enfermeiros não contam?
É sobre estes políticos que devem metaforicamente disparar, porque querem dominar o país através dos sindicatos e do interesse de partidos minoritários e totalitaristas.

Reforma profunda no aparelho do Estado
Precisamos de uma reforma profunda no aparelho do Estado e começar a avaliar os funcionários públicos, os professores, médicos, enfermeiros, técnicos e todos os outros. Mas uma avaliação séria, feita, por entidades independentes e não somente pelos colegas, alunos ou até utentes. Não cumprem à primeira? Ser-lhe-á dado uma segunda oportunidade e quem não evoluir, é despedido e dá lugar a quem quer trabalhar.
O modelo de organização e financiamento do SNS está morto. Não vai haver mais dinheiro no futuro, pelo que devemos optimizar os recursos humanos e eliminar o desperdício gerado por este modelo organizacional. Se não o fizermos, o SNS implode e a saúde vai piorar, porque todos vão querer mais e melhor, mesmo quando não vai haver dinheiro para a pagar.
– Mas como é que tu fazes isso? perguntou uma colega mais nova.

O SNS, já não resiste a comportamentos do passado
Com o que ninguém quer ouvir, através de um Bloco Central, livre da esquerda comunista e bloquista, que com os seus objectivos sindicalistas, travam a comparação, a avaliação e a evolução. O SNS, já não resiste a comportamentos do passado.
– Isso nunca vai acontecer em Portugal. Todos querem ser poder.
Vêm aí eleições. Querem uma nova geringonça? Olhem para o país e para os partidos que temos, para além do PS, do PC e do BE. O que é o PP? E onde vai parar o PSD?
A ferida no SNS é profunda e todos sabemos bem que cada onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.
Precisamos de estabilidade, de mostrar aos portugueses, maioritariamente uma população idosa, que vamos construir um programa de Saúde que dure pelo menos duas legislaturas e que terá um orçamento plurianual, para suprir as necessidades mais imediatas e ir fazendo face ao necessário.
Quatro anos não é suficiente para reconstruir o SNS que queremos, que precisamos, universal e gratuito, com regras bem estabelecidas e a funcionar 24 horas por dia, onde eliminaremos o desperdício de recursos humanos, de MCDT e medicamentos, de dispositivos médicos e de tantos outros custos financeiros e desperdício, que deitam abaixo a sustentabilidade do SNS.
– Isso é uma utopia.
Utopia? Utópico é pensar que assim sobreviveremos e que todos os portugueses terão acesso aos cuidados de saúde que precisam.
Porquê insistir num modelo de governação e de politica de saúde que nos conduziu ao estado onde nos encontramos? É impossível progredir sem mudança e aqueles que não mudam o seu pensar, não conseguem inovar, evoluir ou mudar o que quer que seja.

Inovar no SNS
O futuro não pode ser mais adiado. Inovar no SNS é construir um acordo sectorial na saúde, entre os partidos que mais portugueses representam; depois com muita coragem, começar e finalizar uma reforma e uma renovação profunda na função pública.
Porque não começou a reforma hospitalar? Por falta de dinheiro ou por questões ideológicas da geringonça? E uma reforma séria nos Cuidados de Saúde Primários? Pelas mesmas razões?
Mas quem pode gerir uma coligação destas na Saúde? Com o incansável Prof. Marcelo, como moderador?
Quem tem a experiência de aguentar com as diatribes de uma geringonça, levar com as balas de todos os quadrantes e mesmo assim, mostrar uma lealdade ímpar para com o Governo da Republica?

Espero que não vá embora do país…
Um dia, no famoso contexto diabólico, Passos Coelho afirmou “Ah, com certeza passaria a defender o voto no PS, no PCP e no Bloco de Esquerda. Se pudéssemos todos, sem dinheiro, devolver salários, pensões, impostos e no fim as contas batessem todas certo, isso seria fantástico.”
“Afinal, o anterior líder do PSD prometeu votar em qualquer um destes partidos se um conjunto de pressupostos se cumprissem. Cumpriram-se. Agora só falta saber onde é que Passos Coelho vai pôr a cruzinha: se no PS, no BE ou na CDU.” (1)
Não estou de acordo com Passos Coelho, porque nunca votaria no PS, no Bloco ou no PC. Mas votaria em pessoas e se o actual ministro integrar o elenco da saúde, vou ter mesmo de pensar muito bem.
Quanto a este Ministro, espero que não vá embora do país…

(1) https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/porque-e-que-passos-coelho-vai-ter-votar-no-ps-nas-proximas-eleicoes-5766303.html

O BCP quer dominar o SNS.
Não é para admirar, uma vez que o sector da Saúde é um dos mais importantes em Portugal, para onde todos os interesses políticos e económicos convergem. O ano de 2019 aproxima-se e os vários actos eleitorais que nele vão ter lugar, obrigam a consumar o assalto a este sector, iniciado já há muito tempo. Aproxima-se uma batalha sem tréguas, porque na luta pelos votos, vale tudo.
Este é na actualidade, o sector mais importante e o BCP sabe isso muito bem.

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