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Luis Zagalo Pires

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Há praticamente 2 anos, lançamos o blog marketaccessportugal.com.

Desde o início, este blog seguiu um caminho próprio sempre com o objectivo de contribuir para aumentar o debate em torno da saúde, que necessita de mais e novas opiniões, visões e estratégias.

Durante este período escrevi 20 artigos que traduziram a minha experiência, a minha visão e o meu pensamento sobre diversos temas ligados à saúde.

O feedback que recebi foi óptimo e sei que chegamos muito longe, às pessoas certas e além-fronteiras. Temos mais de duas centenas de pessoas que nos seguem, mas sabemos que cada artigo é lido por milhares, o que nos motiva e nos enche de orgulho, mas ao mesmo tempo nos responsabiliza, e muito… até porque sabemos que o que aqui escrevemos é muitas vezes discutido em reuniões, seminários, fóruns de Facebook, entre outros. É bom saber que chegamos às pessoas e que elas pensam no que aqui escrevemos.

É por isso tempo de agradecer àqueles que dedicaram um pouco do seu tempo a ler o que escrevemos e sobretudo louvar todos os que interagiram connosco e que fizeram com que estes 2 anos fossem extraordinários, com muita aprendizagem baseada na pesquisa e no feedback recebido.

Mas, felizmente a vida não pára e 2018 traz-me um novo desafio profissional que pela sua complexidade e responsabilidade me vai obrigar a uma dedicação full-time, impedindo a minha colaboração regular com o blog. Continuarei a colaborar com o marketaccesportugal.com mas não de uma forma activa e continuada.

Não posso terminar sem deixar de agradecer ao Zé Ribeiro o desafio que me lançou há 2 anos de fazermos algo diferente pela saúde dos portugueses. Ao fim destes 2 anos, tenho a certeza que o desafio foi superado e que conseguimos em muitas situações fazer a diferença e acrescentar valor.

Tenho por isso a certeza, que o blog marketaccessportugal.com continuará a surpreender pela qualidade dos seus artigos e pela visão diferente que tem da saúde em Portugal.

Até breve…

 

Desejo a todos um excelente ano de 2018!

Luís Zagalo Pires

A contratualização de 2017-19

Para este ano e triénio seguinte, anunciou-se uma verdadeira mudança na contratualização dos Cuidados Saúde Primários (CSP). Nas reuniões de apresentação da contratualização aos profissionais das USF, a contratualização 2017 foi conotada como mais “sexy”. Uma das principais novidades anunciadas foi a não contratualização de indicadores, mas sim a contratualização de um plano de acção plurianual (3 anos), assente numa matriz de desempenho multidimensional que origina um Índice de Desempenho Global (IDG). Isso mesmo pode ser lido no documento da Operacionalização da Contratualização de Cuidados de Saúde Primários 2017(1) : “Deste modo, a negociação da contratualização interna a partir de 2017 será baseada na discussão do Plano de Ação a três anos, com a definição de resultados esperados anuais, em que a avaliação é operacionalizada por uma matriz multidimensional da atividade destas unidades, tendo como referência o Índice de Desempenho Global que se pretende alcançar e melhorar continuadamente.”

Mas será mesmo assim? Há mesmo uma revolução na contratualização? Têm os profissionais de saúde razões para ficarem “felizes” por finalmente não contratualizarem indicadores?

Em Setembro de 2006 abriam as primeiras Unidades de Saúde Familiar (USF). De acordo com a então Missão para os Cuidados Saúde Primários, tratava-se da constituição de pequenas unidades funcionais autónomas, prestadoras de cuidados de saúde à população, que proporcionariam maior proximidade ao cidadão e maior qualidade de serviço.

Mas como se iniciou este processo? Quais os principais factos ocorridos antes de 2006 que levaram à Reforma dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) e ao surgimento das USF?

Camisola às riscas vermelhas e brancas, gorro com as mesmas cores, calças azuis, bengala e óculos redondos. Não estou a falar de nenhum adepto de uma equipa de futebol, nem do equipamento dum praticante de ski, mas sim de um personagem bem conhecido de uma série de livros de banda desenhada, que proporciona aos leitores o desafio de procurar o “Wally” no meio de desenhos multicoloridos e com muitas semelhanças entre os vários personagens, dificultando assim o objectivo de encontrá-lo.

Ao procurar o “Wally” não consigo deixar de pensar que o “Wally” representa um qualquer cidadão que todos dizem dever estar no centro do sistema. Mas nos livros, “Wally” raramente está no centro, confundindo-se com os demais e encontrando-se bem escondido algures descentrado no desenho.

E o cidadão? Está no centro do sistema ou, à semelhança do “Wally”, também está encoberto pelos outros e afastado do centro?

Lê-se em 7 minutos

 

O artigo de hoje aborda a 2ª profissão mais velha do mundo. Se relativamente à 1ª penso não haver dúvidas de qual é, já quanto à 2ª imagino que possa dividir opiniões.

De referir que duas “figuras públicas” em épocas que distam alguns milénios foram exemplos de alguém que se serviu dessa arte para ter sucesso nos seus objectivos. Refiro-me a Moisés (o profeta) e a José Mourinho (treinador de futebol).

Na Bíblia, no livro dos Números 13: 17-20, pode ler-se “Moisés enviou-os a explorar a terra de Canaã e disse-lhes: Subi o Négueb, subi a montanha. Vede que terra é essa e que povo habita nela, se é forte ou fraco, pouco ou muito numeroso. Que tal a terra em que habita, boa ou má? Que tais as cidades em que habita, abertas ou fortificadas? Que tal o terreno, fértil ou estéril? Se há nele árvores de fruto ou não (…)”

Começa já a adivinhar qual a profissão de que estou a falar?

Aqui vai mais uma pista.

Lê-se em 7 minutos

 

– “Olha lá vêm os pracistas!” – comenta em voz alta uma senhora na sala de espera do Centro de Saúde.

– “Quem?” – pergunta um senhor levado “à força” pela mulher ao médico.

– “Os homens da pasta, os vendedores de remédios” – ouve-se no burburinho entre os vários utentes que esperam pela consulta.

– “Ah, os propagandistas. Nem pensem que nos passam à frente!” – dizem alguns doentes colocados estrategicamente à porta do consultório do médico, à espera de vez e barrando a passagem dos Delegados de Informação Médica (DIM) que acabaram de chegar.

Entretanto, o DIM pousa a pasta e aguarda pela saída do doente que está com o médico para meter a cabeça por entre a muralha de doentes e, chegando à porta do consultório, pedir ao médico um minutinho…

Lê-se em 5 minutos

 

Há precisamente 1 mês, no passado dia 6 de Janeiro, o governo publicou em Diário da República o DL 5/2017 que, entre outros, no Artigo 9º, alínea 3 diz: “As ações de natureza científica ou outras a realizar (…) em estabelecimentos e serviços do SNS (…) não podem possuir carácter promocional, nem ser patrocinadas por empresas (…) de medicamentos ou dispositivos médicos.”

Na prática todas as reuniões (promocionais ou não) patrocinadas pela Indústria Farmacêutica (IF) que se faziam nos serviços dos Hospitais e nos Centros de Saúde estão a partir de agora proibidas.

No mesmo Artigo 9º (ponto 4) é mencionado que a visita médica não sofre qualquer alteração. Para já, digo eu…

Perante este cenário o que vai a IF fazer?

Lê-se em 5 minutos

Um DIM (A) visita um médico num hospital. Durante a visita o médico diz ao DIM estar a organizar uma reunião científica que vai juntar o serviço e os médicos de família da área de influência do hospital e solicita-lhe apoio para a elaboração da mesma. No final da visita o DIM envia ao seu Chefe um mail a comunicar o sucedido, dizendo que se trata de uma boa oportunidade.

O Chefe recebe o mail e ao perceber a importância reencaminha o mail para o PM, com conhecimento do Chefe Nacional de Vendas, pedindo a colaboração do Marketing.

O PM ao receber este mail, concorda com a oportunidade e envia mail ao MSL (departamento médico), solicitando apoio na elaboração da reunião, colocando Director de Marketing e Director Médico em cópia. O MSL decide visitar o médico para se inteirar do âmbito da reunião e discute com ele o modelo. De seguida envia mail ao PM a propor um modelo de reunião e a propor uma visita conjunta ao médico para optimizar alguns aspectos.

Lê-se em 5 minutos

63 milhões de euros. Nada mau este jackpot!

Na verdade foram 63 175 567,73 €.

Foi este o valor que a Indústria Farmacêutica (IF) declarou no ano de 2015, no site do Infarmed, no âmbito das Comunicações de Transparência e Publicidade (do medicamento).

Haverá com certeza uma certa curiosidade em saber onde foi gasto este valor. Afinal equivale a umas semanas seguidas sem sair o Euromilhões…

Tem ideia de quantas companhias gastaram 50% deste valor? Apenas 10.

E que as três que mais investiram, representam 20% dos 63 milhões?

E que pouco mais do que 80% do valor total foi gasto por 30 companhias?

E sabia que há entidades/congressos a receber mais de 1 milhão de euros?

Lê-se em 5 minutos

 

Uma das metas de todos os governos tem sido providenciar Médico de Família (MF) a todos os portugueses (naturalmente excluindo todos aqueles que não o desejam).

Actualmente, segundo o portal do SNS, faltam 539 MF a nível nacional, sendo que o maior problema se encontra na ARS LVT.

Para que se possa olhar para este problema de uma forma global interessa também reter que segundo o mesmo portal, até 2020 aposentar-se-ão 1220 MF e o nº de Internos de MGF será, no mesmo período, de 2148.

Fazendo as contas por ano, facilmente se conclui que só em 2018 a balança ficará equilibrada, isto é, o nº de internos será suficiente para ultrapassar o défice actual de 539 MF ao qual se junta o nº de médicos que se aposentarão (este cenário poderá alterar-se se outras medidas adicionais forem tomadas).

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