Market Access Portugal

Onde começa e onde acaba?

O seu investimento na leitura deste post é de 8 minutos 

 

Se nada for feito em contrário, se é que ainda pode ser feito alguma coisa, a evolução do sector não deixa dúvidas, caminha na direcção do desaparecimento de farmácias.

Mas será que teremos um número de farmácias exagerado para o nº de portugueses? Na realidade, se tivermos menos farmácias, o negócio das que ficam será melhor? Que farmácias vão tender a desaparecer? E como reinventar o negócio? A resposta não é fácil ou nem será agradável, mas vamos tentar contribuir com ideias.

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O Congresso de quase todas as Farmácias

Agora que a Expofarma 2016 acabou há pouco mais de uma semana, é tempo para reflectir no que ouvi e vi. Não quero errar, mas por entre discursos e promessas, os farmacêuticos voltaram para casa, ou cheios de esperança ou talvez submersos em mais desalento. Esta Expofarma não foi mais do mesmo, digam o que disserem, ainda que os discursos não tragam mais clientes e as promessas de um futuro melhor não paguem as dívidas.

As farmácias estão ao que parece, a facturar menos que no período homólogo do ano anterior. Por isso, as palavras de todas as personalidades que por ali passaram, reiterando o papel do farmacêutico na sociedade, a importância do acto farmacêutico, apesar de não terem como objectivo fazer crescer o negócio, não explicam como aumentar as vendas, numa época onde o produto que a farmácia mais vende, o medicamento sujeito a recita médica, MSRM, baixa o preço cada vez mais.

Claro que são muito importantes os Centros de Vida Saudável e a ideia de uma maior influência social das farmácias junto do público, como defendeu a convidada Claire Anderson. É também um excelente começo, o acordo SNS/Farmácias que trará novos serviços aos doentes. É bonito que as Farmácias e USF´s colaborem para aumentar literacia em saúde e prevenir a doença. Esta e outras ideias foram expressas nesta Expofarma e são contributos fundamentais para o Futuro, seja ele qual for.

Mais um negócio privado assente no SNS

As farmácias são um negócio privado que depende de um serviço público, o SNS, da política comercial dos laboratórios, do poder de compra e da necessidade do cidadão.

Digam o que disserem, prometam o que prometerem, os pagadores do nosso SNS, querem que o produto que a Farmácia vende seja o mais baixo possível;

o Estado quer comparticipar cada vez menos produtos e em menor percentagem, partindo de um preço mais baixo;

e o cidadão quer comprar o “melhor” medicamento, ao preço mais barato e com a maior comparticipação possível.

Não dá para contentar todos. Alguém vai perder e facilmente imaginamos quem.

Nos tempos das “vacas gordas”, se é que ainda nos lembramos, havia quase o mesmo nº de farmácias que actualmente. Nessa altura todos éramos felizes – proprietários de farmácias, farmacêuticos, médicos, laboratórios, cidadãos utentes e até o próprio Estado. O dia-a-dia de uma farmácia era simples – “aviava” a receita, recebia do utente e esperava pela comparticipação do Estado. Os preços eram bons, as margens boas e o pagador pouco questionava. Além do mais, tinham uma associação, digamos que forte, com um caminho claro e objectivo. O negócio do medicamento não podia ser melhor.

Hoje, são muitas as notícias que nos informam da situação crítica do sector, de cada vez mais farmácias insolventes e da luta que cada proprietário faz para manter o seu negócio vivo. E quando falamos com farmacêuticos, ouvimos muitas razões que justificam esta realidade. Muito já foi escrito sobre o tema e não vale a pena repetir ideias ou factos. Na opinião de muitos especialistas, tudo está mau e caminha para pior. E então, o que fazer, se é que há alguma coisa para fazer?

Saltar o muro? Mas porquê sair desta zona de desconforto?

O pensamento leva-me até uma obra literária do programa curricular de Português, nos idos de setenta do século passado, quando fiz, penso eu, o Ciclo Preparatório. O livro, “As Aventuras de João Sem Medo”, retrata a vida de um rapaz que vivia na aldeia “Chora-Que Logo-Bebes”, cercada por muros altos, cujos habitantes estavam presos à tradição que tanto os orgulhava, a de chorar de manhã à noite as desgraças da vida. E o João, diferente dos seus congéneres, decide saltar o muro e aventurar-se na floresta. Mas nesta aldeia em que todos choram, ao ponto de terem verdete nos olhos, houve quem construísse uma fábrica de lenços de papel e tenha enriquecido com a arte de limpar e secar tantas lágrimas.

Saltar o muro? Mas porquê sair desta zona de desconforto?

O desconforto, segundo António Hipólito de Aguiar, AHA, no seu novo livro, “As farmácias em Portugal, Retrato de uma Crise e Visão de Futuro”(1), é “…de particular debilidade, que tem vindo a acentuar-se nos últimos anos, espelhado pelas numerosas situações de insolvência, processos especiais de revitalização (PER) de empresas, incumprimentos, com contornos litigiosos, para com fornecedores e incapacidade de resposta às solicitações da população em matéria de abastecimento regular de medicamentos …”.

Se olharmos para o interior do muro, para o lado de cá das farmácias, a visão que temos é claramente de quebra, de descida, principalmente:

  • no preço dos genéricos e dos medicamentos de marca,
  • nas Comparticipações,
  • e na margem da farmácia, laboratórios e armazenistas.

E na aldeia do João, todos choram com a crise, não fossem eles os habitantes de Chora-Que Logo-Bebes.

Alguém vai ter de decidir quando desliga a máquina

O governo pretende ajudar as farmácias a compensar os efeitos da crise e entre outras medidas, de forma a aumentar a quota de mercado dos genéricos, vai introduzir uma remuneração fixa por embalagem de medicamento genérico vendido. Sendo aparentemente uma boa medida que serve os dois lados e ainda o cidadão utente, a médio prazo, esta medida é claramente é uma panaceia que não vai ajudar a salvar o negócio de todas as farmácias ou da grande maioria. Porquê? Haverá decerto mais razões, mas deixem-me apontar duas.

1- No ano de 2017, alguns produtos do “top ten” vão perder a patente e obviamente vão surgir muitos genéricos. Provavelmente, valores por alto, perto de 30 a 40 milhões vão sair do mercado.

Bom, dirão alguns, “eu ganho mais com o genérico do que com o medicamento de marca, porque a minha margem é maior”. Como estamos a falar de um “blockbuster”, vão surgir muitos genéricos da mesma dci e o preço de venda vai baixar, fazendo que a farmácia tenha uma margem maior sobre um preço cada vez mais reduzido.

2- A pressão de redução da prescrição nos produtos mais caros vai continuar, tendência bem expressa na contratualização dos CSP para 2016 e expectável para os próximos anos. Significa que o volume de facturação da farmácia vai baixar. Mas a juntar à contratualização, o Governo quer poupar 518 milhões com cortes nos preços dos medicamentos. A revisão de preços abrange os fármacos prescritos no âmbito do SNS e com comparticipação do Estado, estando inscrita no PNR, Plano Nacional de Reformas, apresentado no dia 21 de Abril de 2016.

Não sei qual o impacto que estes 500 milhões vão ter nas vendas da farmácia, mas quando uma qualquer farmácia elaborar a sua SWOT, parece que os riscos vão ser mais do que as oportunidades.

É como ter um doente ligado à máquina. Alguém vai ter de decidir quando a desliga.

A Farmácia não pode depender apenas do medicamento

Olhar para o Futuro e evitar o colapso, significa saber o que se vende e o que se quer vender. Segundo AHA (1), 86,9% do que se vende em volume na farmácia são medicamentos (80,6% com comparticipação).  Dos restantes 13,1%, 7% correspondem ao denominado PAC – Patient Care, o que significa os produtos categorizados como suplementos alimentares e produtos fitoterapêuticos, 5%, correspondem ao PEC – Personal Care (Produtos de higiene e Dermo-cosmética) e 1% a produtos para Nutrição especializada.

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A farmácia baixou a cota de MNSRM desde 2006 até 2014, de 98,3% para 85,7%, ou seja, os outros locais de venda, aumentaram de 1,7% para 14,3%. Uma parte do negócio que era da farmácia está agora a crescer para lá dos seus muros.

Então porque é que a Farmácia não procura negócio fora do seu espaço físico, ou vendas que não se relacionem e não dependam apenas do medicamento?

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Fazer parte do processo e não apenas ser uma parte do processo de Saúde

Óbvio. O mundo da Saúde está a mudar e a realidade dos próximos anos não vai ser diferente da tendência actual – baixar os custos com a saúde e com os medicamentos. O negócio da farmácia encontra-se em rota de colisão com estes objectivos economicistas, legítimos no contexto governamental, de crise económica e de recuperação da sustentabilidade do SNS.

Dentro dos muros que em tempos a tornaram num dos feudos mais poderosos na saúde, a farmácia tenta resistir, mas começa a sentir estar numa Missão Impossível.

A farmácia não depende só de si. Depende da legislação; do que o Ministério da Saúde decreta; do Infarmed; depende dos laboratórios, do que fornecem e das condições comerciais; dependem dos armazenistas, dos grupos, das políticas comerciais e financeiras; dependem da ANF; dependem dos médicos e da prescrição; e por fim, a farmácia depende do cidadão, doente ou não, é o cliente da farmácia.

A farmácia tem de quebrar estas dependências, transformá-las em relações normais, onde todos fiquem “confortáveis”. Nunca é fácil lidar com o legislador/pagador. Deve-se antecipar, não ser reactivo, mas proactivo, sem afrontar.

Quebrar as dependências e ser proactivo, significa que a farmácia deve fazer parte do processo de Saúde e não apenas ser uma parte desse processo, aquela que dispensa medicamentos e pratica serviços, dependentes de um acordo governamental.

Não há uma fórmula milagrosa, ou uma solução de bolso para desenhar o Futuro. É preciso identificar criteriosamente os problemas, as suas origens, padrões e barreiras. Depois é necessário investigar e testar as soluções que melhor se adaptam ao futuro, utilizando criatividade e pensamento crítico, na procura da inovação que contribua para a construção da farmácia do futuro.

Farmácia como um Health Hub

O que vai caracterizar a Farmácia do amanhã deve resultar do cruzamento de três variáveis – o que se vende, o preço que se pratica e os clientes que tenho.

O preço do que não é regulado pelo ministério está dependente dos clientes que fidelizo, do que ofereço e do que eles realmente necessitam. Esta é uma dependência normal em qualquer negócio e desta forma a Gestão, a par com o Marketing 1.0, 2.0 ou 3.0, ajudam a alcançar o sucesso. Quando saltar o muro leve estas duas disciplinas na mala e procure a diferenciação.

Existe na farmácia um “produto único” que só depende dela – o acto de cuidar quem lá “entra” na procura de uma resposta de saúde.

A farmácia de hoje deveria ser já um verdadeiro Health Hub, (desculpem o anglicismo), onde o cidadão pode ligar a sua saúde a todos os que dela cuidam.

O acto de cuidar exercido pelo farmacêutico deve acontecer onde está quem o precisa. O caminho a percorrer pode ser do cliente para a farmácia ou da farmácia para o cliente. É por isso obrigatório saltar o muro, ir ao encontro da necessidade, da realidade do seu cliente.

Mas porventura a farmácia conhece mesmo a realidade e a necessidade da região onde está implantada? Sabe como caracterizar o cidadão, o utente? Sabe pelo menos quantos são?

Hipólito de Aguiar, (1), mostra-nos que desde 2006 até 2013, o nº de habitantes médio por farmácia baixou de 3.650 para 3.335.

A farmácia depende desta variável. O maior nº de habitantes por farmácia está no distrito de Braga (4.633), Setúbal (4.349) e o Porto (4.179). Sintra, o concelho mais populoso tem uma média de 5.593 habitantes por farmácia, ou seja, mais 2.000 habitantes que a média nacional.

Mas qual o poder de compra dos clientes da farmácia? É conhecido?

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Apenas 600 Farmácias em Portugal? É possível?

Estes números comparados com outros países da Europa, citados muitas vezes como modelos a seguir nos cuidados de saúde, denotam uma realidade e uma maturidade diferente no sector.

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Com base nos dados disponibilizados, na Suécia, país com uma população pouco superior a 5 milhões, o nº de habitantes por farmácia é de 7.411; na Holanda, com perto de 17 milhões, tem uma média de 8.463 habitantes por farmácia; e na Dinamarca com pouco mais de 5 milhões de dinamarqueses, tem uma média de 17.786 habitantes por farmácia, o que constitui um número assombroso.

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Se este racional for aplicado a Portugal, por influência dinamarquesa teríamos apenas cerca de 600 farmácias; na mesma lógica, agora holandesa cerca de 1.300 farmácias e um pouco mais de 1.425 farmácias com a relação sueca.

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Em Portugal, segundo Hipólito de Aguiar, de 2006 até 2013, o nº de farmácias aumentou de 2.670 para 2.766. Mais farmácias, mas a concentração no sector é um horizonte que está cada vez mais perto e que deve ser levado muito a sério.

É inevitável restruturar o sector, quer se goste ou não, mas a concentração de farmácias vai ter de acontecer para poder voltar a ser rentável – menos farmácias e mais doentes por farmácia, Darwin continua a dar cartas com a sua teoria da evolução; é preciso uma adaptação à nova realidade.

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Óbvio que a variável geográfica, em particular no interior do país, vai afastar o cidadão da farmácia. Se a concentração é mais fácil nas grandes cidades e nos centros mais urbanos, no interior onde o nº de farmácias diminui, deve-se desenvolver ou mesmo melhorar nos serviços como forma de chegar ao cliente/utente. Ressalve-se que por força de obter mais negócio, houve farmácias que se deslocalizaram para locais onde existe mais população, não pondo em causa a densidade da rede.

Saltar o Muro

Saltar o muro para ir ao encontro do cliente e aumentar o seu número, significa “ter o saber” e os recursos humanos necessários para lidar com o cliente e construir um novo paradigma no acto farmacêutico.

Em 2012, Portugal tinha 8.016 farmacêuticos. Significa que temos uma média de 1.400 habitantes, nem todos clientes, por profissional. Apenas por curiosidade comparemos com o médico de família, que tem uma lista de 1900 utentes.

Temo que saltar o muro não seja mais uma opção, mas uma obrigatoriedade. De facto, dispensar ou vender MSRM será sempre um acto controlado por quem paga a comparticipação e a margem da farmácia tenderá sempre a baixar. No entanto o futuro abre as portas a novas áreas de intervenção da farmácia, onde o cliente, doente ou cidadão tem cada vez mais uma palavra a dizer.

O farmacêutico, tal como o médico, tem uma visão muito particular do cliente; consegue ver a árvore, mas raramente tem a visão do todo, da floresta e dos ventos dominantes. Conhecer a realidade é o maior desafio fora do muro.

Ser um Health Hub significa ser o centro nevrálgico de todos os cidadãos que estejam interessados em gerir a própria saúde; significa fazer equipa com os restantes profissionais da região; significa conhecer as pessoas, as necessidades e características de cada geração – Tradicionalists, Baby Boomers, Generation X, a Generation Y ou Millennials e por último a Generation Z.

E na sua farmácia, que geração toma decisões? Com base na leitura e na interpretação visionária deste post, deite fora os lenços e salte o muro. Nós estamos deste lado, na procura de respostas para as perguntas que colocamos.

Será que teremos um número de farmácias exagerado para o nº de portugueses? Na realidade, se tivermos menos farmácias, o negócio das que ficam será melhor? Que farmácias vão tender a desaparecer? E como reinventar o negócio?

A resposta não é fácil ou nem será agradável, mas vamos tentar contribuir com ideias.

.

1-As farmácias em Portugal, Retrato de uma Crise e Visão de Futuro, António Hipólito de Aguiar, Hollyfar, Abril de 2016

Em jeito de “disclaimer”, parte deste post faz parte do livro referenciado em 1, como introdução ao capítulo 3.

 

7 thoughts on “Quanto queres para fechares a tua Farmácia?

  1. João Paulo Cardoso diz:

    Parabéns José Ribeiro pela excelente análise do momento actual e futuro do negócio da farmácia no complexo contexto de evolução da saúde em Portugal. De facto, não basta apontar os problemas que todos conhecemos repetidamente, há que pensar em soluções criativas que abranjam todos os players da saúde – políticos, gestores, clínicos e não clínicos onde incluo obviamente o doente/ utente – só derrubando os muros erguidos noutros tempos em contextos muito diferentes é que se poderá encontrar soluções viáveis para o sector.

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  2. Mário diz:

    Sempre me lembro dos condutores de táxi a queixarem-se do elevado número de alvarás desta área e da necessidade de diminuir a concorrência. Ora, chega a Uber e verifica-se que não falta quem queira entrar e consegue prosperar num mercado que se dizia saturado. Claro, tentam os estabelecidos limitar ao máximo a entrada de um novo concorrente por todos os meios possíveis. Com as farmácias passa-se o mesmo. A cura para garantir o fornecimento de medicamentos de forma ininterrupta à população é a liberalização da abertura de novas farmácias. Quando fechar uma, haverá sempre um empreendedor (individual ou grupo) disponível para abrir uma nova. Liberalizem e vamos ver quantas novas farmácias abrem? Seguramente centenas e com mestres farmacêuticos disponíveis no mercado em quantidade para garantirem todas a qualidade no funcionamento. Algumas poderão fechar é verdade, mas é assim em todos os negócios. Este sistema que protege uma classe de proprietários a despeito de muitos empreendedores que gostariam de entrar no sector é em grande parte responsável pelo estado actual das farmácias que não souberam tornar-se competitivas, ao invés foram descapitalizadas pelos donos, como foi até recentemente aparente pelos sinais exteriores de riqueza que muitos manifestavam.

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    1. Pedro diz:

      Liberalizada já está a propriedade há anos! Em que mundo vive? Tanta asneira e ignorância numa dúzia de linhas é difícil de igualar!

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      1. Mário diz:

        A propriedade sim foi liberalizada, mas a abertura ainda não. Se há alguns anos a abertura por concurso ajudava a garantir uma distribuição uniforme das farmácias pelo território nacional, a actual “lotaria” apenas serve para limitar a iniciativa privada. Mestres farmacêuticos existem muitos no desemprego por todo o país, por isso mão de obra qualificada não falta e como é público, são sempre muitas as candidaturas para abertura de novas farmácias quando vão alvarás à lotaria do infarmed, por isso investidores também não faltam. Chegamos já ao ponto em que juntas de freguesia servem de ponto de entrega de medicamentos por falta de farmácia ou posto local. Quem tem condições técnicas e financeiras para abrir devia poder, com a devida fiscalização. Quem prestar melhor serviço é recompensado ao ser escolhido pelos utentes, quem não prestar bom serviço, muda as suas práticas ou fecha as portas. As farmácias como sector iriam beneficiar da nova dinâmica resultante da entrada de novos investidores, pois como é público e notório, o actual sistema não está a funcionar bem, vejam-se as faltas de medicamentos na farmácias, a quantidade de mestres farmacêuticos estagiários do iefp que entra e sai das farmácias logo quando começam a criar laços com os utentes e a quantidade casos de polícia que aparecem nos jornais que envolvem farmácias e pseudo-redes de farmácias.

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      2. Joaquim Leal diz:

        Não está nada liberalizada a abertura das farmácias, o que está liberalizado é a propriedade de uma farmácia.

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  3. «Digam o que disserem, prometam o que prometerem, os pagadores do nosso SNS, querem que o produto que a Farmácia vende seja o mais baixo possível;

    o Estado quer comparticipar cada vez menos produtos e em menor percentagem, partindo de um preço mais baixo».

    Vejamos:
    0-Só alguém muito burro não percebe o papel essencial que tem em qualquer País a rede de distribuição e venda de medicamentos. Esse trabalho, no nosso País é (bem) executado pelas Farmácias;
    1-Quem esteve no Congresso (e na Expofarma) realizado em Lisboa semana passada viu uma mega-realização, uma mega-organização, uma aparência de «não crise»…
    2-Quem olha para os números com sentido de análise pura detecta MUITOS e óbvios problemas estruturais e conjunturais capazes de afectarem cada uma das empresas pequenas e médias que constituem a rede , além de alguns pontuais de cada farmácia, derivados alguns de questões de gestão…
    3- Nunca esquecendo que os «farmacêuticos de farmácias» sempre elegeram, e reelegeram e reelegeram… um presidente (dir-se-ia «eterno») que foi batalhando publicamente por uma evolução do sector (nomeadamente de preços) que, objectivamente, seriam (como se viu) contrários aos interesses directos e legítimos de empresas como eram e são as farmácias…
    4-Já agora, lembro, o «génio» João Cordeiro — e seus apaniguados — eram sempre assessorados por uns outros «génios» no caso da chamada «comunicação», de uma empresa chamada LPM,(depois LPMCom) (iniciais do seu criador/fundador) que, ao que se foi percebendo, sempre acharam que «era por ali» o caminho certo para a a ANF. Vale lembrar também que essa exacta «agência de comunicação» supostamente genial foi «criadora» e «mantedora» na ribalta de outros duas entidades «extraordinárias» da nossa vida social e política recente, um político chamado José Sócrates e um grupo e banco e falências várias conhecido como grupo BES-GES (lembram-se?);
    5- Posto isto, porquê então a contradição aparente entre a essencialidade e factualidade dos factos apontados nos meus pontos zero e um e os dados referidos no meu ponto 2 e na análise em que se contextualiza este comentário?
    6-No meu ver, porque a evolução dos 20-25 anos recentes da relação farmácias-ANF, sempre com conivências várias dos vários poderes políticos conduziu à criação de um empório de serviços em torno da ANF, à custa, friso à custa, de sacrifícios vários das farmácias propriamente ditas;
    7-Quando o ministro Moita de Macedo «atarrachou» os preços até «ao tutano», ou perto disso, as grandes empresas farmacêuticas e o empório-ANF «aguentaram» o aperto e muitas-muitas farmácias… não. A corda rompe sempre por um dos «pontos fracos». É uma Lei da Física e da Sociedade…

    Têm os «farmacêuticos de farmácias» consciência disto? E das duas verdades sociais absolutas que respigo, acima, do artigo acima? Conheço casos em que «sim» é a resposta inequívoca, mas em muitos casos é óbvio que não… A tendência para a «ganhuça» é por vezes tão forte nesta classe profissional quanto noutras, sem surpresa.

    De qualquer modo, o essencial (o que resumo em 0-) terá sempre que ser preservado. Claro.
    Na minha leitura do ouvido — também no Congresso — nos tempos recentes, de alguns documentos publicados, de muita «comunicação» que vamos «ouvendo». lá teremos, brevemente, soluções Fernandes-Delgado (algumas óbvias, outras até necessárias, outras mais discutíveis, creio) a resolver (ou «remediar», certo?) os «campos» de «terra salgada» deixadas pelo («bispo») Macedo. Logo veremos se justas ou nem por isso… Vamos vendo e comentando?
    (Ou fico «banido» senhores editores deste ambicioso blogue?)

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  4. pedro rodrigues diz:

    Desde os anos 70/80 as farmácias deram um salto qualitativo – que beneficiou a população e o “sistema de Saúde”, mas que sai caro (ao SNS – Serviço Nacional de Saúde);
    O salto de qualidade foi ancorado na profissão (que ganhou muito em autoestima), com a possibilidade de oferecer em rede, e de modo universal e em todo o território, serviços de saúde (incluindo troca de seringas e serviços na área da toxicodependência). E um bom sistema de distribuição, eficiente e com cobertura territorial.
    Paralelamente cresceu a associação do sector, claramente profissional, com serviços diversos, sedes, museus, património em geral.
    A liberalização (da propriedade e outras) destruiu parte disso, e também do progresso qualitativo conseguido em 40 anos. Sem vantagem para nenhuma parte (talvez só para alguns grupos oportunistas de farmácias).

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